﻿{"id":4680,"date":"2014-05-12T17:03:26","date_gmt":"2014-05-12T15:03:26","guid":{"rendered":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/?p=4680"},"modified":"2015-08-19T00:48:02","modified_gmt":"2015-08-18T22:48:02","slug":"le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/","title":{"rendered":"Le livre de REJANE REINALDO sur Fernando Arrabal \u00e0 Fotaleza,  Br\u00e9sil"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">Tweets<a href=\"https:\/\/twitter.com\/arrabalf\"> @<strong>arrabalf<\/strong> <\/a><\/div>\n<div dir=\"ltr\">autre arrabalesque: &#8230;le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb est moins ennuyeux avec des ballons de rugby et le raisonnement avec des sophismes<\/div>\n<div dir=\"ltr\">autre arrabalesco: &#8230; le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb es menos aburrido con balones de rugby y el razonamiento con sofismas<\/div>\n<div dir=\"ltr\">________________________________________<\/div>\n<div dir=\"ltr\">MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211;<\/div>\n<p>ANO I &#8211; <strong>FERNANDO ARRABAL<\/strong> 81 ANOS\u00a0\u00bb<br \/>\n<strong>de REJANE REINALDO <\/strong><br \/>\nFERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS<br \/>\n(RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES)<br \/>\nFORTALEZA, NOVEMBRO DE 2013<\/p>\n<p>\u201cO teatro de Arrabal e\u0301 chamado de Absurdo, mas o absurdo do mundo deste dramaturgo espanhol na\u0303o nasce do desespero do filo\u0301sofo em busca de penetrar o segredo da existe\u0302ncia. E\u0301 dizer que esse estado de absurdidade se revela na mirada dos personagens que ve\u0302em a situac\u0327a\u0303o humana com os olhos da simplicidade ou da imediaticidade infantil que na\u0303o permite uma maior compreensa\u0303o da realidade do objeto observado. Tambe\u0301m como as crianc\u0327as, seus personagens sa\u0303o por vezes crue\u0301is, porque na\u0303o compreenderam ou sequer tentaram compreender a existe\u0302ncia de uma lei moral. E, assim como as crianc\u0327as, eles sofrem a crueldade de um mundo como flagelos incompreensi\u0301veis&#8230;\u00a0\u00bb WILSON COELHO (2010:16) Filosofo,dramaturgo,escritor,tradutor, professor pesquisador<br \/>\n\u00ab\u00a0Esta\u0301vamos reunidos em um palco, contritos como num cerimonial, porque toda realidade fora suspensa, para se instalar outra dimensa\u0303o. Espac\u0327o de maravilhamento e da arte. Sagrado como os tapetes encantados das bacanais e dos retiros dos monges tibetanos. Ali, na\u0303o se fingia ou representava, rezava-se num orato\u0301rio de santos vivos e desbocados, encenando um ritual here\u0301tico de sacrile\u0301gios&#8230;\u00a0\u00bb OSWALD BARROSO(UECE) Poeta,dramaturgo,teatro\u0301logo,escritor,professor pesquisador<br \/>\n\u00ab\u00a0A vinda de Fernando Arrabal proporcionou um cerimonial teatral jamais visto na cena cearense. Um encontro memora\u0301vel onde atores,diretores,pensadores e estudantes de teatro tiveram a oportunidade de discutir a este\u0301tica do Absurdo,do Pa\u0302nico e da Crueldade na dramaturgia com Fernando Arrabal, um dos i\u0301cones do Teatro do Absurdo e u\u0301ltimo sobrevivente dos avatares da Modernidade,que segundo o pro\u0301prio Arrabal,sa\u0303o o Surrealismo, o Pa\u0302nico e a Patafi\u0301sica\u00a0\u00bb. LANA SORAYA(CE) Atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral<br \/>\n\u00ab\u00a0Se o afeto ocorre quando a pote\u0302ncia de agir e\u0301 aumentada ou diminui\u0301da, como queria Spinoza, enta\u0303o, foram momentos de afetac\u0327a\u0303o o que vivenciamos com Fernando Arrabal, e ele junto a no\u0301s, andarilhos, pelas ruas quentes de Fortaleza, pelos teatros, universidades, centros culturais, museus, prac\u0327as, praias, bairros, pelo Teatro da Boca Rica. Sob o som da cidade, o sile\u0302ncio falante dos sentimentos e a emoc\u0327a\u0303o que o teatro nos presenteia, instalamos em no\u0301s, naqueles dias, um tempo pro\u0301prio, uma forma especial de viver, em torpor, em vigi\u0301lia, como a depurar todo o na\u0303o carregado de afeto, delicadeza e prazer\u00a0\u00bb. REJANE REINALDO (CE) Atriz\/diretora teatral, professora-pesquisadora em culturas e artes, produtora\/curadora\/gestora cultural, arte-educadora<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nAPRESENTAC\u0327A\u0303O<br \/>\nO Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes e\u0301 uma promoc\u0327a\u0303o e realizac\u0327a\u0303o da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica com Apoio Cultural do Governo do Estado do Ceara\u0301\/ Secretaria da Cultura-Fundo Estadual da Cultura. Consiste de um programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades por meio de homenagens a grandes personalidades de destaque na cena, na cultura e nas artes mundial, nacional e local, entre escritores, filo\u0301sofos, dramaturgos, cineastas, atores, atrizes.<br \/>\nA homenagem ao artista espanhol Fernando Arrabal1 nesta primeira edic\u0327a\u0303o deveu-se a\u0300 passagem dos seus 80 anos em 2012, considerando-se a sua insofisma\u0301vel contribuic\u0327a\u0303o a\u0300s artes e a\u0300 cultura mundial.<br \/>\nO registro em fotografia e vi\u0301deo das ac\u0327o\u0303es engendrou uma preciosa memo\u0301ria das artes e da cultura no Ceara\u0301, que por si so\u0301 justifica o ti\u0301tulo do projeto. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos abrangeu uma confere\u0302ncia e um semina\u0301rio com Fernando Arrabal e Wilson Coelho(ES)2; uma Oficina de 30 horas\/aula com Wilson Coelho.<br \/>\nLicenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceara\u0301 &#8211; UFC\/ICA, aberto a artistas<br \/>\ne profissionais das artes ce\u0302nicas em geral.<br \/>\nO projeto aconteceu em diversos espac\u0327os: Teatro da Boca Rica, Teatro do Centro Draga\u0303o do Mar, Teatro Paschoal Carlos Magno(Universita\u0301rio) da UFC\/ICA, Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA.<br \/>\n1 Fernando Arrabal(ESPANHA)e\u0301 dramaturgo, escritor, poeta, cineasta, pintor, desenhista, roteirista, jogador e teo\u0301rico do xadrez. Nasceu aos 11 de agosto de 1932, em Melilla, no continente africano (Marrocos espanhol), filho de Fernando Arrabal Ruiz e Carmen Te\u0301ran Gonza\u0301lez.<br \/>\n2 Wilson Coelho (ES) e\u0301 poeta, dramaturgo, tradutor,<br \/>\nCompo\u0302s ainda o projeto uma Mostra da<br \/>\nObra Cinematogra\u0301fica de Arrabal, na Casa Amarela Euse\u0301lio<br \/>\nOliveira da UFC\/ICA; um Interca\u0302mbio Cultural com os alunos<br \/>\ne professores do Curso de<br \/>\nescritor, tradutor,<br \/>\nespecialista na obra de Arrabal, palestrante, articulista e encenador,<br \/>\ngraduado em Filosofia e Mestre em Estudos Litera\u0301rios pela Universidade<br \/>\nFederal do Espi\u0301rito Santo, doutorando em Literatura pela Universidade<br \/>\nFederal Fluminense e Auditor Real do Colle\u0301ge de Pataphysique de<br \/>\nParis.Estudioso e tradutor de Arrabal,sendo seu representante no<br \/>\nBrasil.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nIdealizada por Lana Soraya3, a vinda de Fernando Arrabal veio compor e fortalecer a Escola Livre Teatro da Boca Rica. Sua realizac\u0327a\u0303o significou a culmina\u0302ncia de uma jornada, entre elaborac\u0327a\u0303o, captac\u0327a\u0303o, realizac\u0327a\u0303o, articulac\u0327a\u0303o, divulgac\u0327a\u0303o, feitura de relato\u0301rio e prestac\u0327a\u0303o de contas, de fevereiro de 2012 a outubro de 2013. A ide\u0301ia inicial partiu de Lana Soraya, grande admiradora de Fernando Arrabal.<br \/>\nO Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos promoveu, no Ceara\u0301, um encontro inusitado e encantador envolvendo o mestre franco-e<br \/>\natores, diretores de teatro, pensadores, estudantes, professores, e profissionais afins DO Ceara\u0301.<br \/>\nEste projeto compo\u0303e o programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades desenvolvido pela Escola Livre Teatro da Boca Rica, tendo entre seus objetivos a realizac\u0327a\u0303o de ac\u0327o\u0303es formativas e espetaculares, reunidas a\u0300 a\u0301rea de humanidades, onde processo criativo e processo pedago\u0301gico compo\u0303em um mesmo ambiente, cujos saberes e fazeres se postam sem dicotomias, hegemonias nem hierarquias.<br \/>\nToda a programac\u0327a\u0303o teve acesso gratuito.<br \/>\nPROGRAMAC\u0327A\u0303O<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0UM SOBREVIVENTE DOS AVATARES DA MODERNIDADE Conferencia com Fernando Arrabal<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0DRAMATURGIA, UMA ESCRITA EM PROCESSO Oficina com Wilson Coelho<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0MOSTRA DE CINEMA FERNANDO ARRABAL<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0INTERCA\u0302MBIO CULTURAL Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso de Licenciatura em Teatro<br \/>\n3 Lana Soraya (CE) e\u0301 atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral.Idealizadora da vinda de Fernando Arrabal ao Ceara\u0301, prontamente realizada e promovida pelo projeto MEMORIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica.<br \/>\nspanhol<br \/>\ne os<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nRESUMO DO RELATO\u0301RIO DE ATIVIDADES<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Textos: FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS de:Fernando Arrabal, Rejane Reinaldo, Lana Soraya, Wilson Coelho, Oswald Barroso, Paulo Ess, Rosemberg Cariry<br \/>\n\u2022 Conferencia internacional com Fernando Arrabal &#8211; Um sobrevivente dos avatares da modernidade<br \/>\n(FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO)<br \/>\n\u2022 Oficina com o dramaturgo e professor Wilson Coelho &#8211; Dramaturgia, uma escrita em processo<br \/>\n(LISTA DOS SELECIONADOS NO ANEXO) (FOTOS NO ANEXO)<br \/>\n\u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Mostra de Cinema Fernando Arrabal (FOTOS NO ANEXO)<br \/>\n(FILMAGEM NO ANEXO)<br \/>\n\u2022 Interca\u0302mbio Cultural &#8211; Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso Licenciatura em Teatro<br \/>\n(FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO)<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nRELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES ACERCA DO PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nFERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nTEXTOS<br \/>\nAuto-entrevista de Fernando Arrabal, inspirada nas perguntas que quase sempre lhe fazem e suas respectivas respostas<br \/>\nPor Fernando Arrabal Organizado por Wilson Coelho<br \/>\nQuesta\u0303o: O que resta da crianc\u0327a que aos dez anos de idade ganhou o concurso de superdotados de Espan\u0303a?<br \/>\nFernando Arrabal: Aprendi, enta\u0303o, o que era o amor e tambe\u0301m a castidade.<br \/>\nQ.: O que joga um menino superdotado? F.A.: O xadrez. Continuo jogando. E escrevo a cro\u0302nica<br \/>\nxadrezi\u0301stica de L\u2019Express faz uns 30 anos.<br \/>\nQ.: O senhor teme a morte?<br \/>\nF.A.: Sim. Mas na\u0303o de uma forma obsessiva. Penso nela como \u00abSpinoza\u00bb. Tenho esperanc\u0327as de que a Natureza de ma\u0303os dadas com a Cie\u0302ncia possa prolongar a vida. De que possam existir drogas que sejam capazes de alongar a vida em melhores condic\u0327o\u0303es do que se temos agora. Confio tambe\u0301m na clonagem.<br \/>\nQ.: Reza?<br \/>\nF.A.: Difi\u0301cilmente, porque o agnosticismo acarreta a du\u0301vida. Mas e\u0301 claro que eu rezo todos os di\u0301as a\u0300 maneira ateia do divino Marque\u0302s de Sade.<br \/>\nQ.: E a quem rezaria Fernando Arrabal?<br \/>\nF.A.: Fiz essa mesma pergunta a Borges em To\u0301kio e ele me disse: \u00abEu rezo porque prometi a\u0300 minha ma\u0303e\u00bb. Eu tambem o<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nfac\u0327o, na\u0303o porque tivesse prometido a\u0300 minha ma\u0303e, sena\u0303o porque, depois de tudo, confio que possa ser certo o tema de cada uma das mulheres de grande beleza que nos esperam no parai\u0301so mussulmano. Porque na\u0303o?<br \/>\nQ.: Sabemos verdadeiramente quem e\u0301 Fernando Arrabal? F.A.: Sou ligeiramente famoso, mas completamente<br \/>\ndesconhecido.<br \/>\nQ.: Por que?<br \/>\nF.A.: Porque se tem batido o pe\u0301 sobre aspectos que na\u0303o te\u0302m nada a ver com minha atividade ou meu pensamento. Se rende culto entre gente de minha gerac\u0327a\u0303o e gente muito mais jovem a aspectos que na\u0303o me representam verdadeiramente.<br \/>\nQ.: E tudo isso a seu pesar ou em parte fomentado pelo senhor?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o se poderia fomentar. Skandalo e\u0301 uma palavra grega que significa armadilha na qual se cai, e eu na\u0303o posso fazer esca\u0302ndalo nem provocac\u0327a\u0303o. Tampouco se pode prever o amor. Nem o e\u0302xito nem o fracasso. E\u0301 como o miste\u0301rio do pensamento quando supo\u0303e uma mudanc\u0327a fi\u0301sica. Por exemplo: a erec\u0327a\u0303o. Porque o pensamento pode provocar algo assim? Isso e\u0301 o que trato de decifrar com os patafi\u0301sicos ou com a teoria matema\u0301tica de motivos. Andre\u0301 Breton ficava muito irritado com tudo o que fosse cie\u0302ncia ou mu\u0301sica.<br \/>\nQ.: Curioso.<br \/>\nF.A.: Ele mesmo dizia: \u00abA u\u0301nica mu\u0301sica que me interessa e\u0301 o sile\u0302ncio\u00bb. Quanto a\u0300 cie\u0302ncia, acrescentava: \u00abComo e\u0301 que pode, senhor Arrabal, passar toda a noite jogando xadrez com Marcel Duchamp. Voce\u0302s esta\u0303o sempre com sua eterna partida de xadrez e seus eternos problemas de topologia\u00bb. Eterna partida de xadrez e eterna faceta da cie\u0302ncia. Por isso criamos o pa\u0302nico.<br \/>\nQ.: Como forma de rebeldia contra o surrealismo, na\u0303o?<br \/>\nF.A.: Absolutamente. Ademais, Breton na\u0303o nos expulsou. Eu estaba participando de sua reunia\u0303o dia\u0301ria durante os tre\u0302s u\u0301ltimos anos. De 1960 a 1963. Na\u0303o ti\u0301nhamos carteirinha de surrealista. Era impossi\u0301vel entrar no Cafe\u0301 Surrealista na hora em que comec\u0327ava a reunia\u0303o, a\u0300s seis em ponto da tarde, se na\u0303o fosse aceito previamente por Breton.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO<br \/>\nARRABAL 80 ANOS F.A.: Breton dizia as palavras sagradas: \u00abVoce\u0302 e\u0301 bem-<br \/>\nvindo\u00bb. Enta\u0303o, a partir dai, e\u0301ramos surrealistas.<br \/>\nQ.: E&#8230;?<br \/>\nF.A.: Assim passa\u0301vamos muito bem. Sobretudo Jodorowsky e eu esta\u0301vamos muito bem dentro do grupo. Porque e\u0301ramos gente que vinha de outras latitudes. Aquilo era como estar matando aulas com marcianos. O surrealismo era o mais parecido em dar com o Tubo do Riso na Atla\u0302ntida.<br \/>\nQ.: Ate\u0301 que se cansaram.<br \/>\nF.A.: Escrevi o primeiro manifesto pa\u0302nico em Sidney: O homem pa\u0302nico. Mas, curiosamente, longe de expulsar-nos, Breton publicou minhas obras de teatro, apesar do o\u0301dio que mostrava diante da cena; sem falar no que dizia sobre Artaud. Ademais, ele publicou algunas obras, tanto minhas como, por exemplo, de Oscar Paniza ou Raymond Russel. Atualmente, se esta\u0301 representando em Pari\u0301s uma de minhas obras A primeira comunha\u0303o, editada por ele. Aparece o necro\u0301filo, que mostra Breton tal e como o imaginou o personagem Matta.<br \/>\nQ.: Quantas obras suas esta\u0303o sendo representadas agora?<br \/>\nF.A.: Uma barbaridade. Mas em geral nos pequenos teatros, por companhias na\u0303o comerciais, \u00abalternativas\u00bb. Ainda que tambem me representamos teatros nacionais.<br \/>\nQ.: Escreveu Piquenique no front, sua obra mais representada, quando tinha apenas 14 anos.<br \/>\nF.A.: Essa obra cai bem porque, desgrac\u0327adamente, sempre ha\u0301 guerras. Recentemente, vi em Moscou algo curioso. Dizem que os coreanos do Norte na\u0303o viajam. Pois sim, viajam. E ha\u0301 um grupo de jovens dali que esta\u0301 estudando teatro em Moscou. E tem feito Piquenique em coreano com um diretor de cena estadosunidense e ceno\u0301grafo lituano. As coisas mais incri\u0301veis acontecem com Piquenique.<br \/>\nQ.: Sinceramente, acredita que voltara\u0301 algum a viver em seu pai\u0301s? Regressara\u0301 a\u0300 Espanha?<br \/>\nF.A.: Estou numa ilha, uma cidade. Por isso minhas cartas te\u0302m grande acolhida. Sa\u0303o como Cartas persas. O forasteiro e\u0301<br \/>\nQ.: Na\u0303o me diga?!<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nsempre um diabo. Ha\u0301 algo amoroso que se cria em torno dele. Por isso sou, repito, \u00abmeio famoso\u00bb e ao mesmo tempo quase totalmente desconhecido. Faz agora quase 60 anos de estadia em Pari\u0301s. Mas estou de passagem. Com as malas prontas. Ainda que, claro, sa\u0303o umas maletas enormes, com todos os quadros que existem. E com os lenc\u0327o\u0301is cheios de se\u0301men.<br \/>\nQ.: Se sente enta\u0303o um exilado?<br \/>\nF.A.: Des-ter-ra-do. Na\u0303o se pode dizer que fosse um emigrante econo\u0302mico, um exilado. Eu o fui por outras razo\u0303es.<br \/>\nQ.: E na\u0303o acredita que, assim como aconteceu com Picasso, tambe\u0301m ao senhor lhe te\u0302m feito seu os franceses?<br \/>\nF.A.: Me \u2018insurjo\u2019 contra esta ideia. Jamais conheci um france\u0302s que tenha dito que Picasso era france\u0302s.<br \/>\nQ.: Fale-me de um \u2018camarada\u2019 seu, o escritor Topor.<br \/>\nF.A. Ao meu modo de ver, creio que conheci os melhores. Gente como Beckett, Kundera, Pynchon, Salinger. Mas creio que, de todo o se\u0301culo passado, a pessoa mais inteligente que conheci foi Roland Topor. Mais inteligente que o pro\u0301prio Beckett, talvez que Kundera, que Mandelbrot (o criador dos fractais) ou que Be\u0301nny Le\u0301vy, o secreta\u0301rio secreto de Sartre, que morreu de um infarto. De Topor nunca lhe ouvi dizer uma bobagem.<br \/>\nQ.: Foi ele quem disse: \u00abO dia em que Arrabal tomar uma bebida alcoo\u0301lica sera\u0301 o mais importante do se\u0301culo\u00bb. Chegou esse dia?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o, ainda ha\u0301 que esperar uns anos para que chegue esse dia. Mas agora bebo vino in veritas.<br \/>\nQ.: Jodorowsky pretende que as admiradoras de Arrabal tenham corpo de prostituta. Por aluso\u0303es, esta\u0301 de acordo?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o, na\u0303o, eu na\u0303o tenho admiradoras. Sou eu o admirador das pessoas que esta\u0303o ao meu redor, dessas pessoas que me seguem de Los A\u0302ngeles ou Moscou. Na\u0303o me fixei nunca no aspecto que te\u0302m, me fixo na mirada, na intelige\u0302ncia, no sexo, nos olhos. Nossas relac\u0327o\u0303es sa\u0303o como as do grande Tertuliano com as novas crentes. Uma explosa\u0303o de intelige\u0302ncia, de cie\u0302ncia e de poesia.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nQ.: Pois Jodorowsky, sim, se tem fixado.<br \/>\nF.A.: Na realidade, ele e eu nos vemos muito pouco. Quase nunca. Mas quase sempre com muito prazer. E\u0301 muito falso pretender que ele tenha ciu\u0301mes. Creio que Jodorowsky e\u0301 a pessoa com a que melhor e mais vezes me tenho reconciliado em minha vida. Gosto muito dele.<br \/>\nQ.: Acaba de ser publicado, junto com a reedic\u0327a\u0303o de alguns de seus textos, O temor ao Deus Pan, de Viveca Tallgren (Libros del Innombrable, Zaragoza). Reflexo\u0303es sobre a recepc\u0327a\u0303o de suas obras. Comec\u0327amos a descobri-lo?<br \/>\nF.A.: Pois sim, esta divina bailarina de tangos e erudita catedra\u0301tica recopilou uma parte dos insultos que lanc\u0327aram contra mim ao longo de minha vida. Sa\u0303o muito curiosos e na\u0303o creio que nenhum deles seja merecido. Grac\u0327as a eles pude evitar calamidades como a de entrar em certas instituc\u0327o\u0303es casposas ou de ter que visitar em minhas viagens aos centros de falato\u0301rios hispanos.<br \/>\nQ.: Quem tem medo de Fernando Arrabal?<br \/>\nF.A.: Eu creio que todos e ningue\u0301m. Houve um momento em que o regime de Franco o deu porque eu era um personagem perigoso. Ha\u0301 que se ter em conta que, por exemplo, ja\u0301 com a democracia instalada, proibiram a volta a\u0300 Espanha de cinco pessoas: a Pasionaria, Carrillo, Li\u0301ster, o Campesino e eu. E o que fac\u0327o eu nesta lista? Na\u0303o tenho nada a ver com eles, nunca me ingressei em um partido poli\u0301tico, nem sequer no anarquista. E\u0301 como os buracos negros. Os buracos negros na\u0303o podem ser vistos. Ha\u0301 que se analisa\u0301-los matematicamente. Pois isso e\u0301 o que ocorre comigo.<br \/>\nQ.: Em seu caso, todo foi motivado por uma dedicato\u0301ria pessoal.<br \/>\nF.A.: A histo\u0301ria e\u0301 que um rapaz vem e me pede uma dedicato\u0301ria blasfema e pa\u0302nica. Enta\u0303o eu lhe escrevi: \u00abEu cago em Deus, na Pa\u0301tria e em todos os demais\u00bb. Ele fica ta\u0303o contente com esta dedicato\u0301ria que a mostra a todo o mundo. Incluido su tio, que e\u0301 capita\u0303o de navio. Enta\u0303o, o capita\u0303o de navio escreve a Franco e lhe diz: \u00abEstamos num momento de tolera\u0302ncia e de \u2018tio pa\u0301seme usted el ri\u0301o\u2019, mas ale\u0301m de onde na\u0303o chegue o peso da justic\u0327a ira\u0301 o peso de meus punhos\u00bb. No dia seguinte se apresentan em meu hotel quatro<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\npoliciais com pistola. Imagina. Quatro policiais armados foram prender-me a\u0300s 12 da noite. Ridi\u0301culo.<br \/>\nQ.: Como o de sua biografia do autor de Quixote, que levantou mais de uma bolha entre os cervantistas.<br \/>\nF.A.: Mas na\u0303o sei porque\u0302! Por exemplo, Marlowe pisoteou crucifixos e era homossexual, como Shakespeare, e isso na\u0303o causou nenhum esca\u0302ndalo na Inglaterra. A homossexualidade de Cervantes ja\u0301 estava contada antes de que o fizesse eu. Na\u0303o inovo em nada. So\u0301 a escondem os verdadeiros cretinos e indocumentados como o simpa\u0301tico dorminhoco Cannavagio. Se aborreceram comigo por pura incultura e preconceitos.<br \/>\nQ.: Talvez pela forc\u0327a do ha\u0301bito.<br \/>\nF.A.: Wittegenstein analisa estes disparates. Como dizia Hitchcock: \u00abEu na\u0303o posso filmar Branca de Neve porque, no final, eles va\u0303o procurar o criminoso\u00bb. Por isso, no meu caso, pensam que Arrabal esta\u0301s sempre provocando. Mas nunca foi minha intenc\u0327a\u0303o.<br \/>\nQ.: E a atualidade que vivemos na\u0303o lhe atenta para isso?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o. Estou apaixonado por outras coisas. Parece-me que estamos vivendo um renascimento: da filosofia, da astrofi\u0301sica, das matema\u0301ticas, da meca\u0302nica qua\u0301ntica. Algo que chega ate\u0301 aos parlamentos. E\u0301 um momento de muito sangue e de muito terror, mas muito interessante.<br \/>\nQ.: O que Arrabal tem de Quixote?<br \/>\nF.A.: De Alonso Quijada sempre tenho a esperanc\u0327a quixotesca oposta ao pessimismo de meu mestre Schopenhauer. Mas na\u0303o posso chegar a ser o que eu gostaria: um santo paga\u0303o como o foi meu pai. Por isso esse desconcerto qua\u0301ntico que tenho.<br \/>\nQ.: Ja\u0301 encontrou o seu pai?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o, mas continuo procurando-o.<br \/>\nQ.: A u\u0301ltima coisa que se sabe dele e\u0301 que se perdeu na neve depois de fugir da penitencia\u0301ria de Burgos. Uma imagem tremenda, na\u0303o?<br \/>\nF.A.: Algo incri\u0301vel na e\u0301poca. Quando fui ao concurso de superdotados, para viajar de Cidade Rodrigo ate\u0301 Madri, tive que tirar um salvo conduto. Como e\u0301 possivel que se escape<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\num prisioneiro numa Espanha ta\u0303o controlada como a dos anos 40 e na\u0303o se encontre seu cada\u0301ver?<br \/>\nQ.: Tem uma filha, Lelia, de 33 anos, descapacitada mental. F.A.: Assim e\u0301. Q.: Recorda da u\u0301ltima vez que falou com ela?<br \/>\nF.A.: Claro que sim. Fac\u0327o isso sempre: e\u0301 muito inteligente. O Governo france\u0302s a ajuda. E\u0301 uma desgrac\u0327a pensando em seu futuro. Mas ter um ser assim, ta\u0303o amoroso, e\u0301 como um animalzinho ou um santo. E\u0301 curioso porque todo isto e\u0301 talmu\u0301dico. Ela e\u0301 assim e meu outro filho, Samuel, de 32 anos, e\u0301 doutor em biologia molecular, exatamente em \u00abvacas&#8230; loucas\u00bb.<br \/>\nQ.: Se considera um bom pai?<br \/>\nF.A.: Na\u0303o. Eu gostaria dar-lhes de comer meus cotovelos e de beber meus leuco\u0301citos. Eles, sobretudo ela, me da\u0303o muito. Eles me da\u0303o tudo. Ela na\u0303o me pode dar mais. E\u0301 o amor incondicional. Penso no cachorro de Schopenhauer e em Sa\u0303o Francisco de Assis.<br \/>\nQ.: Mais de meio se\u0301culo casado com Luce, qual o resultado disso?<br \/>\nF.A.: Luce e\u0301 como un nota\u0301rio de talento deslumbrante, sua palavra esta\u0301 jurada, na\u0303o sabe mentir. Minha filha tampouco. Ate\u0301 sua aposentadoria, Luce foi professora na Sorbone. Quando fui ao ca\u0301rcere, disseram que ela me amarrava na cama e outras barbaridades. Os difamadores franquistas ate\u0301 a cabec\u0327a se tornaram democratas de toda a vida. Fico feliz em ve\u0302-los.<br \/>\nQ.: Com o que sonhou esta noite? F.A.: Sonhei que sonhava.<br \/>\nQ.: Falemos de Houellebecq, o que viu nele? O tem apadrinhado?<br \/>\nF.A.: O apadrinha seu talento. Sua curiosidade cienti\u0301fica e sua transcende\u0302ncia filoso\u0301fica confortam. Assim, como ontem uma mula como o inculti\u0301ssimo Andre\u0301 Malraux pode chegar a ser Ministro de Cultura?<br \/>\nQ.: Defina-me o delito de inju\u0301rias.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nF.A.: Um arrabalesco diria: \u201cCom a inju\u0301ria se jura na matilha\u201d Na\u0303o e\u0301 a inju\u0301ria o recurso injusto de quem na\u0303o sabe julgar nem raciocinar?<br \/>\nQ.: Condenado por uma dedicato\u0301ria durante o franquismo, ta\u0303o forte foi o que escreveu?<br \/>\nF.A.: Os fortes, enta\u0303o, eram os que condenavam e que logo morreram em sua cama com as botas postas ou os que vivem nos ministe\u0301rios com as jaquetas trocadas? O ca\u0301rcere e o processo que padeci por blasfe\u0302mia e\u0301 possivel que seja, como argumento\u0301 de J-E. Hallier, um dos atos mais significativos do mundo intelectual do se\u0301culo passado?<br \/>\nQ.: Ha\u0301 alguns anos voce\u0302 batalhou por achar o rastro\/pegada\/memo\u0301ria de seu pai, o encontrou?<br \/>\nF.A.: E\u0301 como Beckett, um modelo de vida. Mas \u2013 quanto ao meu pai \u2013 nunca pude confronta\u0301-lo com a realidade; no entanto, amiu\u0301de recebo testemunhas do marti\u0301rio que sofreu, por exemplo, no Pen\u0303o\u0301n do Hacho de Ceuta.<br \/>\nQ.: Como Samuel Beckett ajudou a voce\u0302, que e\u0301 \u201ctranscendente sa\u0301trapa\u201d?<br \/>\nF.A.: Com suas palavras e com seus sile\u0302ncios. Por que o Cole\u0301gio de Patafi\u0301sica na\u0303o o alc\u0327ou a \u201ctranscendente sa\u0301trapa\u201d como a Duchamp, Max Ernst ou Ionesco?<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nArrabal: o homem sem rai\u0301zes<br \/>\nPor Wilson Coe\u0302lho<br \/>\nDramaturgo, escritor, poeta, cineasta, pintor, desenhista,<br \/>\nroteirista, jogador e teo\u0301rico do xadrez, o espanhol<br \/>\nFernando Arrabal nasceu aos 11 de agosto de 1932, em<br \/>\nMelilla, no continente africano (Marrocos espanhol), filho<br \/>\nde Fernando Arrabal Ruiz e Carmen Te\u0301ran Gonza\u0301lez. Em 1936,<br \/>\npor ter se recusado a colaborar com o General Franco no<br \/>\ngolpe militar de seu pai\u0301s, seu pai, tenente em Melilla, foi<br \/>\npreso e condenado a\u0300 morte. Tendo a pena trocada por 30 anos<br \/>\nde prisa\u0303o, foi transferido para a Cidade Rodrigo<br \/>\n(Salamanca), depois, internado no hospital psiquia\u0301trico de<br \/>\nBurgos. Em 1942, desaparece em circunsta\u0302ncias misteriosas e<br \/>\nna\u0303o se ouve mais falar dele. Desde 1940, a fami\u0301lia de<br \/>\nArrabal se instala em Madri.<br \/>\nA trage\u0301dia da guerra civil espanhola esta\u0301 fortemente<br \/>\npresente em sua obra litera\u0301ria e, de certa forma, sua<br \/>\nvocac\u0327a\u0303o de dramaturgo e escritor se alimenta dos<br \/>\ntranstornos sociolo\u0301gicos, do sistema totalita\u0301rio, o<br \/>\ndesaparecimento de seu pai e as relac\u0327o\u0303es difi\u0301ceis no seio<br \/>\nde sua pro\u0301pria fami\u0301lia. Aos 10 anos de idade, comec\u0327a a<br \/>\nescrever e ao participar de um concurso de matema\u0301tica<br \/>\nrecebe o Pre\u0302mio nacional de \u201csuperdotado\u201d.<br \/>\nArrabal e\u0301 um admirador de Goya, Valle-Incla\u0301n e Bun\u0303uel, e<br \/>\nalgumas de suas pec\u0327as caminham em direc\u0327a\u0303o ao barroco: uma<br \/>\nmagia, uma festa suntuosa, uma abunda\u0302ncia de gestos, de<br \/>\ngritos e de cores, destinados a violentar, a \u201cchocar\u201d o<br \/>\nespectador.<br \/>\nMas o aspecto barroco na obra de Arrabal, como um \u201crealismo<br \/>\nda confusa\u0303o\u201d, e\u0301 uma nova maneira que ele encontra para<br \/>\nliberar seus transtornos na medida em que os transfigura,<br \/>\nimpondo-lhes um tipo de ordem e, de alguma forma,<br \/>\nreencontrando o sentido primeiro do seu teatro de magia,<br \/>\nonde sa\u0303o te\u0302nues as fronteiras que a separam de sua vida. E,<br \/>\ncompreendendo e aceitando a condic\u0327a\u0303o de que as estruturas<br \/>\ndo dia\u0301logo, da ac\u0327a\u0303o teatral e do universo te\u0302m a mesma<br \/>\nforma, para Arrabal, o teatro na\u0303o se resume ao palco, mas<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nele e\u0301 tudo isso que adve\u0301m, onde a ac\u0327a\u0303o \u2013 por ser a imagem<br \/>\nrefletida do mundo \u2013 na\u0303o deve ser uma mera demonstrac\u0327a\u0303o de<br \/>\nalegorias e maneirismos ce\u0302nicos.<br \/>\nAo conceber a dramaturgia, Arrabalparte de suas<br \/>\ninquietudes poli\u0301ticas e existenciais, faz da histo\u0301ria o<br \/>\nespac\u0327o ce\u0302nico e o principal fundamento da elaborac\u0327a\u0303o de sua<br \/>\ncriac\u0327a\u0303o teatral. Sua dramaturgia na\u0303o se limita a\u0300 pretensa\u0303o<br \/>\nde criar um novo texto, mas elabora um tipo de carpintaria<br \/>\nteatral que, apesar da aparente ingenuidade e da explorac\u0327a\u0303o<br \/>\ndo nonsense, parece ter um rigor cienti\u0301fico do ritual. A<br \/>\nideia de um \u201crigor cienti\u0301fico do ritual\u201d trata-se de uma<br \/>\nalusa\u0303o ao fato de que, apesar do aparente inusitado do<br \/>\ntranse, ha\u0301 uma lo\u0301gica interna no ritual, onde se rompe a<br \/>\nfronteira entre atores e espectadores, considerando que de<br \/>\nalguma forma todos participam. Num determinado sentido,<br \/>\ncoloca em questa\u0303o a ideia do pu\u0301blico como uma entidade, ao<br \/>\nmesmo tempo em que referenda o feno\u0302meno de algo que se<br \/>\ntorna pu\u0301blico, no momento em que e\u0301 \u201cpublicado\u201d. Para tanto,<br \/>\nprovoca uma espe\u0301cie de necessidade de romper com o mero<br \/>\nconceito de \u201crepresentac\u0327a\u0303o\u201d.<br \/>\nLevando em conta que sua produc\u0327a\u0303o tem sido reconhecida como<br \/>\nTeatro do Absurdo, juntamente com Beckett, Ionesco, Adamov<br \/>\ne tantos outros.<br \/>\nPara ele, o teatro e\u0301 \u201csobretudo uma cerimo\u0302nia, uma festa,<br \/>\nque tem do sacri\u0301lego e do sagrado, do erotismo e do<br \/>\nmisticismo, da colocac\u0327a\u0303o da morte e da exaltac\u0327a\u0303o da vida.<br \/>\nEu sonho um teatro onde humor e poesia, fascinac\u0327a\u0303o e pa\u0302nico<br \/>\nna\u0303o fariam mais que um. O rito teatral se transformaria<br \/>\nenta\u0303o em \u2018operamundi\u2019, como os fantasmas de Dom Quixote, os<br \/>\npesadelos de Alice no pai\u0301s das maravilhas, o deli\u0301rio de K.,<br \/>\nate\u0301 os sonhos humanoides que frequentavam as noites de uma<br \/>\nma\u0301quina IBM.\u201d<br \/>\nPara alguns, o teatro de vanguarda no Brasil se inicia com<br \/>\na montagem de sua obra \u201cO cemite\u0301rio de automo\u0301veis\u201d,<br \/>\ndirigido pelo argentino Victor Garci\u0301a, com produc\u0327a\u0303o de Ruth<br \/>\nEscobar e tendo como protagonista, no papel de Emanu, o<br \/>\nator capixaba Ste\u0302nio Garcia.<br \/>\nMesmo tendo se reunido com os surrealistas e Breton e,<br \/>\nainda, ter sido nomeado Sa\u0301trapa, uma espe\u0301cie de Pre\u0302mio<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nNobel do Cole\u0301gio de Patafi\u0301sica de Paris, seu lugar de<br \/>\ndestaque esta\u0301 no pa\u0302nico. Em 1962, juntamente com seus<br \/>\namigos, o desenhista Roland Topor, o escritor Sternberg e o<br \/>\nencenador Alexandro Jodorowsky, apaixonado pelo<br \/>\n\u201chappening\u201d, Arrabal funda o Movimento Pa\u0302nico \u2013 designac\u0327a\u0303o<br \/>\nque vem etimologicamente do deus grego Pan, da totalidade,<br \/>\nmomento em que abandona um pouco suas para\u0301bolas \u201cinfantis\u201d<br \/>\npara explorar a veia do fanta\u0301stico e do ritual. De certa<br \/>\nmaneira, o seu reencontro com os surrealistas faz com que<br \/>\nele desenvolva e leve adiante a crueldade colocando em<br \/>\npra\u0301tica algumas das ideias preconizadas por Antonin Artaud.<br \/>\nA obra de Arrabal e\u0301 formada de 14 romances, 800 livros de<br \/>\npoesia, tre\u0302s epi\u0301stolas, mais de uma centena de pec\u0327as de<br \/>\nteatro, sete filmes em longa-metragem e tre\u0302s curtas, outra<br \/>\ncentena de livros de arte e te\u0301cnica de xadrez, seis livros<br \/>\ndestinados ao fracasso, uma centena de telas pintadas,<br \/>\nmuitos milhares de fotografias, um milhar de artigos para a<br \/>\nimprensa internacional, muitas centenas de confere\u0302ncias nas<br \/>\nuniversidades mais prestigiadas do mundo.<br \/>\nSua criatividade mu\u0301ltipla esta\u0301 tambe\u0301m manifestada nas artes<br \/>\npla\u0301sticas, que ele explorou numa abunda\u0302ncia de esculturas,<br \/>\npinturas, colagens, desenhos, e que fazem o objeto de<br \/>\nnumerosas exposic\u0327o\u0303es e retrospectivas em galerias e museus<br \/>\nde diversos pai\u0301ses.<br \/>\nEle tem recebido um grande nu\u0301mero de honrarias e pre\u0302mios<br \/>\ninternacionais. Sua obra esta\u0301 traduzida na maioria das<br \/>\nli\u0301nguas e seu teatro entre os mais encenados do mundo.<br \/>\nEnfim, Fernando Arrabal, o Transcendente Sa\u0301trapa do Cole\u0301gio<br \/>\nde Patafi\u0301sica de Paris que conviveu com Dali, Picasso,<br \/>\nSartre, Duchamp, Ione\u0300sco, Cioran, Beckett, Dario Fo,<br \/>\nUmberto Eco, Breton, Boris Vian, Man Ray, Andy Warhol,<br \/>\nTristan Tzara, Genet e tantos outros, e\u0301 considerado como o<br \/>\nu\u0301nico sobrevivente dos \u201ctre\u0302s avatares da modernidade\u201d, que,<br \/>\nsegundo ele mesmo, sa\u0303o o Surrealismo, a Patafi\u0301sica e o<br \/>\nPa\u0302nico.<br \/>\nTendo nascido no continente africano e vivendo em Paris<br \/>\ndesde 1955, como uma espe\u0301cie de auto exilado, ele se diz<br \/>\nnatural da \u201cDesterrola\u0302ncia\u201d e, ainda, insiste em afirmar<br \/>\nque na\u0303o tem rai\u0301zes, mas \u2013 sim \u2013 asas.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nARABESCOS PA\u0302NICOS\u00a0\u00a0 \u00a04 Por Oswald Barroso<br \/>\nSenti\u0301amo-nos ligados ao mundo, no tempo e no espac\u0327o, como durante a visita de Sartre e Simone de Beauvoir, em 1960, a\u0300 Fortaleza. Lembro sua confere\u0302ncia na Universidade Federal do Ceara\u0301 e a satisfac\u0327a\u0303o de meu pai, ao se fazer presente. Sartre foi recebido pelo reitor, em sessa\u0303o solene, no audito\u0301rio da Faculdade de Direito, cercado de doutores e do governador. Ja\u0301 Arrabal, ao seu modo, deixou-se perder nos arrabaldes da noite, recebido pelas meninas e meninos do Teatro da Boca Rica, picadeiro marginal instalado na boemia da Praia de Iracema. Entronado num altar de va\u0302ndalos, com eles, comungou mais uma vez o sem destino dos transviados. Trocou lorotas, ideias pa\u0302nicas e desconcertantes, na li\u0301ngua dos desavisados, ate\u0301 ser tomado pelo sile\u0302ncio.<br \/>\nConversa\u0301vamos com Arrabal e era como se o centro do mundo estivesse ali. Fora do eixo. Deslocado por magia, atravessara continentes e se\u0301culos, para se instalar, como um sonho, entre no\u0301s. E de fato, estava. Poucos o perceberam, mesmo a intelectualidade bem posta. Arrabal na\u0303o chegara via Centro-Sul, viera direto do ale\u0301m e se podia toca\u0301-lo, enquanto negociava pensamentos conosco, um punhado de escolhidos (que lhe escolheram), numa conversa i\u0301ntima e displicente. Naquela hora, so\u0301 alguns compreenderam que ali brilhava a histo\u0301ria. Ouviu, ouviu, passeou pelos arredores do teatro, entre esta\u0301tuas, como se deslizasse por nossa histo\u0301ria, i\u0301ntimo dos hero\u0301is imortalizados, respondendo aos que perguntavam com sile\u0302ncios significativos e sorrisos<br \/>\n4 Oswald Barroso e\u0301 Poeta, jornalista, folclorista e teatro\u0301logo. Doutor e Mestre em Sociologia e Bacharel em Comunicac\u0327a\u0303o Social pela Universidade Federal do Ceara\u0301. Po\u0301s-Graduado em Gesta\u0303o Cultural pela ANFIAC\/Paris. Professor do Departamento de Artes da Universidade Estadual do Ceara\u0301. Atualmente e\u0301 membro da Academia Ibe\u0301rica da Ma\u0301scara, membro do Conselho Consultivo da Comissa\u0303o Cearense de Folclore, da Diretoria Executiva da Comissa\u0303o Nacional de Folclore e da Associac\u0327a\u0303o de Dramaturgos do Nordeste, ale\u0301m de coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas Ce\u0302nicas do Theatro Jose\u0301 de Alencar.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nenigma\u0301ticos. O que estaria a ruminar, naquela altura da vida?<br \/>\nNa cena, Arrabal se comportava como crianc\u0327a, podia parecer uma vedete, um exibicionista, mas era ta\u0303o absurdamente inge\u0302nua sua postura, como a de um pivete, ao posar para os foto\u0301grafos. Desde a bata de monje, os o\u0301culos de pla\u0301stico colorido, o gesto de dizer que estava \u201cum brinco\u201d, apertando com os dedos a ponta da orelha, ate\u0301 a alegria em pousar com as fa\u0303s.<br \/>\nEsta\u0301vamos reunidos em um palco, contritos como num cerimonial, porque toda realidade fora suspensa, para se instalar outra dimensa\u0303o. Espac\u0327o de maravilhamento e da arte. Sagrado como os tapetes encantados das bacanais e dos retiros dos monges tibetanos. Ali, na\u0303o se fingia ou representava, rezava-se num orato\u0301rio de santos vivos e desbocados, encenando um ritual here\u0301tico de sacrile\u0301gios.<br \/>\nTal e\u0301 sua obra, como uma psicografia de me\u0301diuns, ditada pelos deuses, aos borboto\u0303es, sobre os miste\u0301rios dos mundos, tornados mais ocultos ainda. Alimento das almas, povoadas pelos fantasmas de todas as guerras e festas, por entidades errantes e focos de lanternas, a esquadrinhar as dobras da geografia humana, ta\u0303o intensamente vivida pelos viajantes, como ele, inveterados e invertebrados.<br \/>\nNele esta\u0301 a crueldade de Artaud, o onirismo de Bun\u0303uel, o absurdo de Ionesco, a patafi\u0301sica dos alquimistas e a totalidade dos inconformistas, pais e ma\u0303es de todas as linguagens e vanguardas. Esta\u0301 o homem inteiro e facetado, corpo que se manifesta imantado pelos espi\u0301ritos que o habitam, retalhado e indivisi\u0301vel, partido em todas as direc\u0327o\u0303es.<br \/>\nVisitas, como a sua, nos ajudam a abrir os espi\u0301ritos e expandir a utopia.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nARRABAL E\u0301 UM ABSURDO! Por Paulo Ess5<br \/>\nRESUMO<br \/>\nO objetivo deste artigo e\u0301 apresentar algumas refere\u0302ncias acerca do Teatro do Absurdo, movimento de vanguarda da de\u0301cada de 1950, com destaque para o dramaturgo espanhol, Fernando Arrabal, e sua importa\u0302ncia para o teatro brasileiro, e universal, ale\u0301m de sua extensa produc\u0327a\u0303o dramatu\u0301rgica, que marcou o se\u0301culo XX.Autor representante do Teatro do Absurdo que, inspirado em seus princi\u0301pios,a partir de paradigmas do teatro cla\u0301ssico ocidental, criou o Teatro Pa\u0302nico. Mesmo sendo considerado pertencente ao ge\u0302nero drama\u0301tico, o dramaturgo mante\u0302m elementos fundamentais dessa forma inovadora. Esse tipo de teatro se justifica especialmente pela sua importa\u0302ncia, como movimento de vanguarda. Com linguagem acessi\u0301vel e de fa\u0301cil compreensa\u0303o, e\u0301 possi\u0301vel fazer com que, qualquer pessoa,possa ascender a\u0300 produc\u0327a\u0303o e realizac\u0327a\u0303o desse teatro e as possibilidades expressivas por ele geradas. Palavras-chave: Fernando Arrabal. Teatro do Absurdo. Fortaleza.Escola Livre Teatro da Boca Rica.<br \/>\nO inusitado surge em nossas vidas e esta\u0301 presente em cada ac\u0327a\u0303o, segundo apo\u0301s segundo. Se admitirmos as ac\u0327o\u0303es rotineiras, as mais simples possi\u0301veis,como sendo uma ocorre\u0302ncia qualquer, assim na\u0303o estaremos permitindo o momento da surpresa que a vida comporta. Situa-se ai, a condic\u0327a\u0303o do novo, o inesperado. A mais simples ac\u0327a\u0303o realista, naturalista, de ta\u0303o natural, li\u0301quida e transparente que e\u0301, cria veios inexplica\u0301veis e questo\u0303es simplesmente absurdas de situac\u0327o\u0303es da vida humana. Situac\u0327o\u0303es ta\u0303o simples, simplesmente puras, que na\u0303o se explicam. E no\u0301s, na tentativa de compreendermos os miste\u0301rios inexplica\u0301veis, buscamos aclarac\u0327o\u0303es para tudo, para entender a lo\u0301gica da morte e o sentido da vida.Assim e\u0301 vida, mas o teatro na\u0303o tem o compromisso de reproduzi-la, mas sim, expressa-la em todo o seu sentido. Por isso, em alguns momentos, quando assistimos a um espeta\u0301culo, temos a sensac\u0327a\u0303o de uma fuga racional e um abandono total do discurso emergente da poesia para uma ruptura das imagens bem definidas. Essa ause\u0302ncia torna-se mais sentida, quando se trata de uma linguagem do teatro contempora\u0302neo.<br \/>\n5Paulo Ess (CE) e\u0301 ator, diretor, professor pesquisador. Doutor em Teoria, Histo\u0301ria e Pra\u0301tica do Teatro e Po\u0301s-doutor em Estudos Culturais.Correio eletro\u0302nico: pauloess@ifce.edu.br<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nNesse ponto, assinalamos o Teatro do Absurdo como representante de uma linguagem de vanguarda, carregada de aspectos estranhos, elementos delirantes e roteiros nada lineares, onde os acontecimentos ocorrem numa avalanche, demonstrando a du\u0301vida e a solida\u0303o que habita em todos os seres humanos. Essa linguagem nos transporta a um universo que, de certo modo, refletem e sa\u0303o referendados pela nossa vida rotineira.Seria vulgar admitir a ause\u0302ncia da lo\u0301gica, que tentamos definir na linguagem do Absurdo. Mas podemos, sem compromisso com a forma, concentrar seu desenvolvimento em situac\u0327o\u0303es inesperadas do homem. A linguagem do Absurdo e\u0301 uma forma drama\u0301tica que tem como recurso de criac\u0327a\u0303o, os personagens, suas falas e seu enredo de forma lo\u0301gica. Onde os quadros, as cenas ou situac\u0327o\u0303es, na\u0303o exigem conexo\u0303es. Os personagens expostos a\u0300s situac\u0327o\u0303es alternadas por imagens sem soluc\u0327o\u0303es expo\u0303em seus dia\u0301logos circulares, ci\u0301clicos, e se afastam de cliche\u0302s que transformam a nossa realidade.<br \/>\nSituamos na cronologia teatral, o ano de 1961, como sendo o peri\u0301odo em que o termo Teatro do Absurdo, foi definido pelo teo\u0301rico hu\u0301ngaro, Martin Esslin. O teo\u0301rico classificou esse teatro, como uma tende\u0302ncia de vanguarda, surgida depois da Segunda Guerra Mundial, destacando-a como uma das vertentes mais significativas do se\u0301culo XX. Seu objetivo era definir essa tende\u0302ncia teatral, em uma so\u0301 palavra, que tivesse como cerne da questa\u0303o, as situac\u0327o\u0303es e relac\u0327o\u0303es humanas com seus aspectos inesperados, onde seus textos destacam-se por situac\u0327o\u0303es ilo\u0301gicas nos dia\u0301logos dos personagens.<br \/>\nEntre os dramaturgos do Absurdo, destacamos o espanhol Fernando Arrabal, que expo\u0303e seus personagens adultos, com atributos infantis, em meio a\u0300 solida\u0303o humana e situac\u0327o\u0303es banais. Os personagens te\u0302m caracteri\u0301sticas psicolo\u0301gicas realistas, em um roteiro onde as situac\u0327o\u0303es ocorrem de modo circular, recheadas de acontecimentos extraordina\u0301rios. Foi a partir do Teatro do Absurdo, que Fernando Arrabal em 1962, criou em Paris, o termo Teatro do Pa\u0302nico, que tem como elemento fundamental, a este\u0301tica ce\u0302nica.O teatro arrabalino, caracteriza-se por forte tende\u0302ncia a\u0300 cri\u0301tica, com pitadas de terror aliado ao humor, ale\u0301m da identificac\u0327a\u0303o da vida arti\u0301stica e pessoal do autor.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nIndependente de qualquer que seja a linguagem dramatu\u0301rgica, percebemos que a cultura espanhola deixou influe\u0302ncias decisivas para os povos portugueses. Sa\u0303o marcas da cultura ibe\u0301rica que esta\u0303o presentes em todos os ni\u0301veis do povo brasileiro, nos fazendo semelhantes e comuns, nos tornando irma\u0303os. Auxiliados pelo Medievalismo e Renascimento a dramaturgia ibe\u0301rica retratou e unificou nossos aspectos sociais e populares, os ha\u0301bitos e costumes. Lope de Vega, (1562-1635) exaltou o teatro de qualidade ibe\u0301rica e influenciou Jorge de Lima, Murilo Mendes, Dias Gomes e Joa\u0303o Cabral de Melo Neto. Com estas afinidades, passamos a perguntar qual seria a relac\u0327a\u0303o existente entre a cultura brasileira e a espanhola.<br \/>\nA obra de Arrabal chega ate\u0301 no\u0301s, em 1968, pelas ma\u0303os do argentino Victor Garcia com o texto Cemite\u0301rio de Automo\u0301veis, e em 1971, com a montagem do Teatro Ipanema, conhecemos o texto, por meio do espeta\u0301culo O arquiteto e o Imperador da Assi\u0301ria. Em 1952 Fernando Arrabal escreveu o texto Piquenique no Front, que para no\u0301s tem extraordina\u0301ria importa\u0302ncia, por ser a primeira obra do autor, e tambe\u0301m por destacar-se como sendo uma das primeiras do ge\u0302nero Absurdo.Esse texto, inicialmente teve seu ti\u0301tulo de Os Soldados, e passou por um processo de criac\u0327a\u0303o entre os anos de 1952 a 1961. Em 1952, foi o ano que o autor propo\u0302s sua primeira versa\u0303o, e 1961 foi a data em que se publicou sua versa\u0303o definitiva.<br \/>\nEm 1999, em Fortaleza, Ceara\u0301, o Grupo Teatral Rac\u0327a, sob a direc\u0327a\u0303o de Fernando Pianco\u0301, montou o texto acima mencionado, cuja histo\u0301ria, conta a vida de um soldado chamado Zapo, que se caracteriza pela sua ingenuidade, atributo esse revelado em cena, quando ele tricota, pacientemente, no front, um sue\u0301ter de la\u0303. A histo\u0301ria se passa em um campo de guerra, em um dia de domingo qualquer, quando o senhor e a senhora Te\u0301pan, surpreendem seu filho Zapo, para degustarem um requintado lanche. Essa prosaica merenda, em plena guerra, destaca-se por esse momento inusitado. A marca do momento inesperado distingue-se pelo contraste estabelecido entre o ambiente de guerra, com tiros de bombas, fogo cruzado, e a situac\u0327a\u0303o iminente da morte. Todo esse contraste banaliza essa situac\u0327a\u0303o de guerra.Essa condic\u0327a\u0303o surreal enfatiza o conflito das<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nsituac\u0327o\u0303es geradas entre um simples piquenique, e a conflitante convive\u0302ncia em um campo de batalha.<br \/>\nO texto expo\u0303e uma cri\u0301tica ferrenha a\u0300 idiotice da guerra e seu cara\u0301ter bestial, com situac\u0327o\u0303es de oposic\u0327a\u0303o a\u0300 guerra, quando o casal Te\u0301pan resolve lanchar em pleno campo de batalha, como uma ac\u0327a\u0303o inusitada e contradito\u0301ria que impressiona. A meta\u0301fora da guerra e seus conflitos cotidianos tornam-se situac\u0327o\u0303es banais do mundo atual. No texto, o clima inquietante e perturbador de guerra misturam-se a\u0300 ingenuidade e a crueldade dos personagens. Essa crueldade sugerida que faz refere\u0302ncias a\u0300 II Guerra Mundial,tambe\u0301m pode representar a crueldade de qualquer e\u0301poca, pois o que importa, e\u0301 a exposic\u0327a\u0303o da banalizac\u0327a\u0303o dos valores da vida e da morte. No momento em que saboreiam o lanche, a situac\u0327a\u0303o e\u0301 quebrada com a chegada de um soldado inimigo, que a convite da fami\u0301lia Te\u0301pan, tambe\u0301m participa do piquenique. Ja\u0301 em outro momento, enfermeiros surgem a\u0300 procura de mortos e enfermos e ali, resolvem parar o bombardeio e acabar com a guerra, assumindo o compromisso de conversarem com seus superiores, para cessarem esse conflito.<br \/>\nO tema da guerra e sua banalizac\u0327a\u0303o tem no i\u0301ntimo do autor a forc\u0327a dele ter vivido na pra\u0301tica a viole\u0302ncia fi\u0301sica e a condenac\u0327a\u0303o de seu pai a\u0300 prisa\u0303o e morte. A ditadura espanhola do governo Franco tambe\u0301m perseguiu Arrabal. Com a proibic\u0327a\u0303o de seus textos ele foi forc\u0327ando a deixar seu Pai\u0301s em 1955, passando a morar na Franc\u0327a. Essa relac\u0327a\u0303o direta com a guerra expo\u0303e a viole\u0302ncia e mostra nitidamente a cri\u0301tica do autor sobre essas atrocidades. A incompreensa\u0303o e a comunicac\u0327a\u0303o truncada que esta\u0303o presentes nos seus textos revelam as marcas do Teatro do Absurdo, com influe\u0302ncias do Surrealismo e do Teatro da Crueldade.<br \/>\nTambe\u0301m devemos destacar o papel fundamental da Escola Livre Teatro da Boca Rica, que no ano de 2012, realizou de 3 a 7 de dezembro, o Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes-ANO I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos. Esse projeto constou de Mostra de Cinema Arrabal na Casa Amarela, Interca\u0302mbio com a Universidade Federal do Ceara-Curso Licenciatura em Teatro no Teatro Paschoal Carlos Magno, oficina de dramaturgia no Teatro da Boca Rica, ministrada pelo dramaturgo capixaba, Wilson Coelho, e pela primeira<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nvez, no Ceara\u0301, a presenc\u0327a marcante de Fernando Arrabal, no ano em que ele completava oitenta anos. Ele proferiu, nesse evento, a confere\u0302ncia intitulada,Um sobrevivente dos avatares da Modernidade, no Centro Draga\u0303o do Mar.Nessa sua apresentac\u0327a\u0303o ele falou que a cultura esta\u0301 passando por grandes desafios e a causa disso tudo e\u0301 a mercantilizac\u0327a\u0303o da arte, pois a cultura na\u0303o interessa a\u0300 economia, reservando desse modo, um lugar de destaque para a bolsa de valores, como se fosse um templo religioso.<br \/>\nAutor do mais alto ni\u0301vel,Arrabal na\u0303o se limita somente a obra dramatu\u0301rgica, mas tambe\u0301m acumula obras litera\u0301rias, visuais e cinematogra\u0301ficas. Guarda em seu histo\u0301rico autoral, mais de onze novelas, vinte obras drama\u0301ticas distribui\u0301das em dezenove volumes, e sete longa-metragens.E\u0301 visi\u0301vel em sua obra, a permanente ruptura com o sistema, opondo-se de maneira radical. Dentre tantas amizades, ele contou com o afeto de outros artistas de sua gerac\u0327a\u0303o, como foi o caso de Picasso, Ionesco e Salvador Dali.<br \/>\nConclui\u0301mos que os textos de Fernando Arrabal sa\u0303o ricos em imagens, donde podemos concluir que esse recurso e\u0301 estimulado pela forc\u0327a e o impulso da situac\u0327a\u0303o apresentada, configurando-se como elemento direto, na ac\u0327a\u0303o drama\u0301tica. Mesmo que o autor tenha vivido o pa\u0302nico da guerra, a imaginac\u0327a\u0303o encontra apoio na concretizac\u0327a\u0303o das imagens por ele sugeridas. Enquanto as imagens sa\u0303o fortes, a palavra reflete o pensamento abstrato, como signos que conduzem os elementos necessa\u0301rios, desejados pelo autor.Arrabal se apropria da linguagem, assim como o artesa\u0303o se utiliza do cinzel. Mesmo percebendo que seu teatro contenha elementos de sua vida pessoal, ele transfere seus conflitos e ac\u0327o\u0303es, para a problema\u0301tica geral,transforma-os em func\u0327o\u0303es transversais da coletividade.Enfim, podemos considerar que, a dramaturgia de Arrabal, aqui no Brasil, ainda e\u0301 pouco analisada, discutida, debatida, e seus textos pouco montados pelos grupos de teatro.<br \/>\nREFERE\u0302NCIAS BIBLIOGRA\u0301FICAS<br \/>\nBARTHES, Roland. A ca\u0302mara clara. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da po\u0301s-modernidade.Traduc\u0327a\u0303o de Mauro Gama, Cla\u0301udia Martinelli. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nBERENGUER, Angel. Fernando Arrabal, Pic \u2013 nic, El triciclo, El labirinto. Madrid: Catedra: Letras Hispanicas. 2007. BERTHOLD, Margot. Histo\u0301ria Mundial do Teatro. Traduc\u0327a\u0303o de Maria Paula V. Zurawski, J. Guinsburg, Se\u0301rgio Coelho e Clo\u0301vis Garcia. Sa\u0303o Paulo: Perspectiva, 2003.<br \/>\nBRETON, Andre\u0301. Manifestos do Surrealismo. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2001. ECO, Humberto. A Definic\u0327a\u0303o da Arte. Lisboa: Edic\u0327o\u0303es 70, 2004.<br \/>\nESSLIN, Martin. O teatro do absurdo. Traduc\u0327a\u0303o de Ba\u0301rbara Heliodora. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1968. MAGALDI, Sa\u0301bato. O texto no teatro.3 ed. Sa\u0303o Paulo: Editora Perspectiva, 2001.<br \/>\n_______. \u201cIonesco e a Morte\u201d. In: O texto no teatro. Sa\u0303o Paulo: Editora Perspectiva, 2001. OLIVA, Ce\u0301sar y MONREAL, F. Torres. Historia ba\u0301sica del arte esce\u0301nico. Madrid, Ca\u0301tedra, 1990.<br \/>\nPAVIS, Patrice. Diciona\u0301rio de Teatro. 2 ed. Traduc\u0327a\u0303o de J. Guinsbug e Maria Lu\u0301cia Pereira. Sa\u0303oPaulo: Perspectiva, 2003. SCHIAPPA, Bruno. Fernando Arrabal. O Paradoxo da Teatralidade. Lisboa: Coisas de Ler. Edic\u0327o\u0303es, Lda., 2010. VASCONCELLOS, Luiz Paulo. Diciona\u0301rio de teatro. Sa\u0303o Paulo: L&amp;PM, 1987.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nFernando Arrabal 80 anos Por Lana Soraya<br \/>\nA vinda de Fernando Arrabal proporcionou um cerimonial teatral jamais visto na cena cearense. Um encontro memora\u0301vel onde atores,diretores,pensadores e estudantes de teatro tiveram a oportunidade de discutir a este\u0301tica do Absurdo,do Pa\u0302nico e da Crueldade na dramaturgia com Fernando Arrabal, um dos i\u0301cones do Teatro do Absurdo e u\u0301ltimo sobrevivente dos avatares da Modernidade,que segundo o pro\u0301prio Arrabal,sa\u0303o o Surrealismo, o Pa\u0302nico e a Patafi\u0301sica.<br \/>\nFoi emocionante,prazeroso e instigante ficar perto desse ge\u0302nio criativo , aprofundar sua obra delirante e autobiogra\u0301fica,cuja fonte e\u0301 a Espanha mi\u0301stica,blasfema, repressora e tra\u0301gica.<br \/>\nMergulhamos no universo Pan de Arrabal, nas suas inquietac\u0327o\u0303es,medos,confuso\u0303es,euforias, humor,muito humor contidos nos seus textos e peli\u0301culas.<br \/>\nO formato do projeto MEMORIA VIVA pretendeu englobar a obra de ARRABAL, de forma sinte\u0301tica e representativa, com uma Mostra de sua obra cinematogra\u0301fica,ainda desconhecida no Brasil, possibilitando o encontro da classe teatral cearense com o Mestre e seu Teatro Pa\u0302nico.<br \/>\nAssim, inserimos na histo\u0301ria do teatro cearense esse interca\u0302mbio transcultural,internacional,cosmopolita.Arrabal esteve enta\u0303o pela primeira vez em Fortaleza, quarenta anos depois da primeira montagem do seu \u201cPiquenique no Front\u201d,no dia 08 de dezembro de 1972(fonte:Ricardo Guilherme), primeira montagem da dramaturgia de Fernando Arrabal em Fortaleza, numa realizac\u0327a\u0303o do Curso de Arte Drama\u0301tica da Universidade Federal do Ceara\u0301 sob a direc\u0327a\u0303o de Marcus Miranda, no Teatro Universita\u0301rio. Assim, quarenta anos apo\u0301s, Fernando Arrabal ocupou o palco do Teatro Universita\u0301rio, agora ao vivo e na\u0303o apenas atrave\u0301s da sua literatura, e proferiu uma palestra destinada aos alunos e<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nprofessores da Licenciatura em Teatro da UFC. Momento ma\u0301gico , histo\u0301rico,surreal!<br \/>\nSurreal,tambe\u0301m,foi sua visita a\u0300 exposic\u0327a\u0303o \u201cBi\u0301blia Sagrada\u201d do pintor Salvador Dali, contempora\u0302neo e amigo de Arrabal. Momento especial, privilegiado,foi ter Arrabal comentando as obras de Dali com informac\u0327o\u0303es preciosas, u\u0301nicas, exclusivas.<br \/>\nIdealizar e realizar o projeto MEMORIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES foi muito gratificante,especialmente por ter possibilitado o encontro ine\u0301dito da comunidade teatral cearense com Fernando Arrabal, o autor espanhol mais encenado do mundo e criador de um teatro vigoroso, de uma este\u0301tica irreverente,o Teatro Pa\u0302nico.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nFERNANDO ARRABAL NA TERRA DO SOL Por Rosemberg Cariry6<br \/>\nConsiderado um dos u\u0301ltimos avatares da modernidade do se\u0301culo XX;iniciado nos grupo surrealista de Bre\u0301ton, senhor das iconoclastias e das rebeldias;mais do que um revoluciona\u0301rio da arte, um sobrevivente, sempre inquieto e atuante, marcado por inquietac\u0327o\u0303es poli\u0301ticas e metafi\u0301sicas (no seu atei\u0301smo espanhol e ana\u0301rquico); um sobrevivente das grandes artes que marcaram as revoluc\u0327o\u0303es este\u0301ticas do se\u0301culo XX e um sobrevivente das hecatombes que trincaram os alicerces da civilizac\u0327a\u0303o europeia. Marcado a ferro e fogo pela Guerra Civil espanhola e o terror espalhado pelo generali\u0301ssimo Franco, que deixou o saldo de milho\u0303es de espanho\u0301is mortos e permitiu o bombardeamento de Guernica, imortalizada num quadro de Picasso, como representac\u0327a\u0303o da dilacerac\u0327a\u0303o e da dor. Onde havia liberdade e pensamento avanc\u0327ado, o generali\u0301ssimo Franco esmagou com suas botas, sob as orac\u0327o\u0303es dos padres fascistas e o mau odor dos santos de chagas expostas e corac\u0327o\u0303es dilacerados. O pai seria condenado e fuzilado pelas tropas franquistas, em 1941. O pro\u0301prio Fernando Arrabal seria condenado e preso pelo regime de Franco, em 1967, despertando um movimento dos maiores artistas e intelectuais do mundo, exigindo a sua liberdade.Para alguns, a fu\u0301ria dos infernos desabara sobre a Espanha. Para outros, mais cartesianos ou mais materialistas diale\u0301ticos, tudo na\u0303o passava da crise do capitalismo e das instituic\u0327o\u0303es poli\u0301ticas, com o avanc\u0327o do nazifascismo sobre o mundo, de forma a impregnar de conservadorismo e viole\u0302ncia as democracias ocidentais, mesmo depois da Segunda Grande Guerra Mundial, ate\u0301<br \/>\n6Rosemberg Cariry: Filo\u0301sofo de formac\u0327a\u0303o, cineasta por vocac\u0327a\u0303o, Antonio Rosemberg de Moura, de nome arti\u0301stico Rosemberg Cariry, nasceu em Farias Brito \u2013 Ceara\u0301, no ano de 1953. E\u0301 autor de va\u0301rios livros de contos, poemas e ensaios. Realizou doze filmes de longa-metragem, entre os quais se destacam: O Caldeira\u0303o da Santa Cruz do Deserto(longa-metragem, documenta\u0301rio, 1986), Patativa do Assare\u0301, Ave Poesia(longa-metragem, documenta\u0301rio, 2007) e Corisco e Dada\u0301(longa- metragem, ficc\u0327a\u0303o, 1996). Participou ativamente dos movimentos arti\u0301sticos e litera\u0301rios do Ceara\u0301 e editou revistas litera\u0301rias, com destaque para o jornal\/revista Nac\u0327a\u0303o Cariri.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\ntransfigurar-se no neoliberalismo que apodrece o planeta, causa a morte de milho\u0303es de pessoas pela fome e pela explorac\u0327a\u0303o e cava os abismos crescentes entre as classes sociais e os pai\u0301ses ricos e pobres, na contorcida e horrorosa agonia dos impe\u0301rios, com a crise civilizato\u0301ria, que se arrasta de todo o se\u0301culo XX ate\u0301 os dias de hoje.<br \/>\nFernando Arrabal e\u0301 um cidada\u0303o do mundo, um artista em transe, fruto das agonias e das dores da modernidade. Um cidada\u0303o do mundo que na\u0303o pode fugir do ethos espanhol. Um moderno que herda as inquietac\u0327o\u0303es criativas da \u201ce\u0301poca de ouro\u201d , quando o Oriente se encontrou com o Ocidente, e, sob o domi\u0301nio a\u0301rabe-berbere, durante oitocentos anos, na Peni\u0301nsula Ibe\u0301rica, viveram em paz e prosperaram o maometismo, o cristianismo e o judai\u0301smo\u2013traduzindo filo\u0301sofos gregos, poetas persas e pensamentos e cie\u0302ncias orientais, possibilitando a\u0300 Europa medieval sair das trevas em que mergulhara sob as rui\u0301nas do impe\u0301rio romano, ate\u0301 que os reis cato\u0301licos transformaram novamente tudo em rui\u0301nas. Rui\u0301nas sobre rui\u0301nas. Dessa \u201ce\u0301poca de ouro\u201d, nasceu a chama dos grandes mi\u0301sticos espanho\u0301is, na conflue\u0302ncia das tre\u0302s religio\u0303es do livro. Fernando Arrabal e\u0301 um espanhol, insisto, e os espanho\u0301is sa\u0303o mi\u0301sticos, mesmo o mais declarado dos ateus, mesmo aquele que tem na ma\u0303o uma espada, em vez de uma cruz, para com o touro da vida duelar na arena da morte.<br \/>\nEsse desafio (jogo) constante com a morte, para dar sentido a\u0300 vida, e\u0301 pro\u0301prio dos mi\u0301sticos, mesmo que venha travestido no mundanismo mais profano e da heresia mais abomina\u0301vel. A cobra morde o pro\u0301prio rabo. Fernando Arrabal lembra-me Santo Anta\u0303o, no deserto da Tiberi\u0301ades, debatendo- se com as suas viso\u0303es demoni\u0301acas e orgi\u0301acas, numa fu\u0301ria alucinato\u0301ria que tenta deter o fluxo da raza\u0303o e pergunta- se,sem respostas, sobre o sentido do ser no mundo e sobre a inexiste\u0302ncia de Deus, num espac\u0327o simbo\u0301lico e social profanado pelo Grande Capital.<br \/>\nEssas inquietac\u0327o\u0303es interiores, exteriorizadas em arte e poli\u0301tica, expressam-se por meio de dezenas de romances, poemas, pec\u0327as teatrais e filmes, que va\u0303o encontrar a inquietac\u0327a\u0303o de toda uma gerac\u0327a\u0303o que sonhava em mudar o mundo, notadamente a gerac\u0327a\u0303o os anos 1960,como os movimentos de contracultura hippies e as revoltas de Maio<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nde 1968. Um resultado tra\u0301gico para ta\u0303o generosa utopia chegaria com o avanc\u0327o do capitalismo, ainda mais selvagem em seu desprezo pela humanidade, travestido de neoliberalismo, caminhando sobre montanhas de cada\u0301veres e as cinzas das utopias.<br \/>\nOs avanc\u0327os dessas forc\u0327as obscuras jamais calaram Fernando Arrabal, que continuou produzindo, inquietando-se, questionando o status quo, e, nesta sua insubmissa\u0303o, a tudo marca com o sinal de Caim, com sua fu\u0301ria iconoclasta de Santo Anta\u0303o da modernidade, pregando nos desertos da po\u0301s- modernidade e em todos os desertos: no deserto de Praga e de Paris, do Saara e do Siara\u0301.<br \/>\nFernando Arrabal esteve no Ceara\u0301, em dezembro de 2012, como um \u201csaltimbanco ano\u0302nimo\u201d, sem que fosse percebida a importa\u0302ncia da sua presenc\u0327a na cena arti\u0301stica local.Os jornais noticiaram a sua presenc\u0327a, mas uma espe\u0301cie de cegueira impediu que ele fosse visto e traduzido no significado mais profundo dos seus gestos e dos seus discursos. Na\u0303o que tenham faltado espectadores para os seus debates e embates, as suas reflexo\u0303es e cri\u0301ticas sobre as artes e os desconcertos do mundo. Na\u0303o, na\u0303o faltaram pessoas a\u0301vidas pela discussa\u0303o e pelo debate. No entanto, e\u0301ramos poucos, escutando com atenc\u0327a\u0303o, fazendo anotac\u0327o\u0303es, perguntando, questionando, aprendendo e desaprendendo. Uns poucos de no\u0301s ja\u0301 havi\u0301amos vistos seus filmes, lidos seus romances, assistido a montagens de suas pec\u0327as e se inquietado com os seus pensamentos.<br \/>\nA exemplo do que acontece com os grandes artistas, ningue\u0301m le\u0302 ou ve\u0302 Fernando Arrabal impunemente sem que algo se inquiete dentro da alma. Esta\u0301vamos inquietos, diante das suas completas e, d\u2019outras vezes, frases cortadas antes que se completassem os sentidos&#8230; Dos seus sile\u0302ncios, dos seus sorrisos enigma\u0301ticos&#8230; Na\u0303o havia e nem no\u0301s queri\u0301amos estabelecer fronteiras entre o que era real e representac\u0327a\u0303o. Aqui na\u0303o falo na capacidade que tem ele de levantar pole\u0302micas, nem nas contradic\u0327o\u0303es dos seus discursos, mas falo no \u201cfogo\u201d e no \u201crisco\u201d de que e\u0301 feita toda arte e na coragem da ousadia. Torquato Neto, o grande poeta tropicalista, ja\u0301 dizia: \u201cUm poeta na\u0303o se faz com versos, e\u0301 o risco\u201d. Fernando Arrabal sabe disto, que a arte<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\ne\u0301 caminhar sobre o fio da na navalha a\u0300 beira dos precipi\u0301cios.<br \/>\nFernando Arrabal chega ao Ceara\u0301 com uma pesada carga de heranc\u0327as das vanguardas europeias da primeira metade do se\u0301culo XX e tambe\u0301m com a quebra destas mesmas heranc\u0327as, cheias de construc\u0327o\u0303es e de iconoclastias, falando da vida,mas trazendo tambe\u0301m os seus mortos \u2013 os seus santos, os seus demo\u0302nios e os seus monstros sagrados; todos mortos \u2013 expostos como os santos barrocos espanho\u0301is em procissa\u0303o, tristes e mo\u0301rbidos,cheios de sangue e de chagas abertas, como se fossem espelhos do mundo, entre cemite\u0301rios de automo\u0301veis, Babilo\u0302nia tardia, a\u0301rvores de Guernica, cavalos loucos, jardins das deli\u0301cias, labirintos e bestialidades ero\u0301ticas. Um mundo oni\u0301rico e transbarroco, dizendo que ainda resta vida na poesia e a arte se faz grande pela insubmissa\u0303o do artista que supera a si mesmo e avanc\u0327a sobre o seu tempo.<br \/>\nNo Ceara\u0301, tambe\u0301m temos os nossos santos e os nossos demo\u0302nios insepultos, mas sem as sombras das criptas roma\u0302nicas, go\u0301ticas ou barrocas. O nosso barroco popular e\u0301 uma reinvenc\u0327a\u0303o ensolarada do barroco ibe\u0301rico, austero. Os nossos mortos, deixamo-los sobre a terra, para que sejam lambidos pelas li\u0301nguas afiadas do sol, ate\u0301 que os seus ossos polidos reluzam ao dia e, a\u0300 noite, transformem-se em pura prata sobre as cari\u0301cias do luar.<br \/>\nFernando Arrabal arrasta heranc\u0327as e, em sua fu\u0301ria iconoclasta, destro\u0301i mundos velhos e novos, destruindo-se e construindo-se a si mesmo. No\u0301s aqui, no Ceara\u0301 \u2013 Terra do Sol, na\u0303o temos ou na\u0303o gostamos de passado (os ossos dos nossos mortos esta\u0303o expostos ao sol e esta\u0303o polidos), arrefecemos a nossa fu\u0301ria e esquecidos andamos de que o mundo pode ser novo, mesmo que ja\u0301 nasc\u0327a como rui\u0301nas.<br \/>\nAdmira\u0301vel Fernando Arrabal que ainda causa tanta inquietac\u0327a\u0303o no Mundo Novo e mexe com a nossa indiferenc\u0327a. Quem sabe este avatar errante, vindo de um passado pro\u0301ximo, das rui\u0301nas de uma Europa devastada, na\u0303o nos incendeia o tempo presente. Afinal, no\u0301s precisamos encarar as nossas pro\u0301prias rui\u0301nas, para que sobre elas\u2013com as pedras e areias do deserto, com ossos polidos dos nossos antepassados e com os vivos de hoje \u2013mistura de mundos em que nos<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\ntransformamos (um povo como mistura de todas as misturas, herdeiro de si\u0301mbolos e de imagina\u0301rios planeta\u0301rios reinventados sob o signo da brasilidade) \u2013possamos finalmente abrir as portas do futuro e construirmos uma civilizac\u0327a\u0303o nova, mestic\u0327a, tropical, igualita\u0301ria e livre, como bem profetizava outro avatar\u2013Darcy Ribeiro. Ate\u0301 que novas rui\u0301nas se instalem.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nARRABAL, AFETOS E PAISAGENS Por Rejane Reinaldo7<br \/>\nSe o afeto ocorre quando a pote\u0302ncia de agir e\u0301 aumentada ou diminui\u0301da, como queria Spinoza, enta\u0303o, foram momentos de afetac\u0327a\u0303o o que vivenciamos com Fernando Arrabal, e ele junto a no\u0301s, andarilhos, pelas ruas quentes de Fortaleza, pelos teatros, universidades, centros culturais, museus, prac\u0327as, praias, bairros, pelo Teatro da Boca Rica. Sob o som da cidade, o sile\u0302ncio falante dos sentimentos e a emoc\u0327a\u0303o que o teatro nos presenteia, instalamos em no\u0301s, naqueles dias, um tempo pro\u0301prio, uma forma especial de viver, em torpor, em vigi\u0301lia, como a depurar todo o na\u0303o carregado de afeto, delicadeza e prazer.<br \/>\nUm homem franzino, de uma intelige\u0302ncia estupenda. Um teo\u0301rico dos mais tenazes, de voz doce e delicada, quase inaudi\u0301vel, a emitir gentilezas sempre, e sempre. E a sussurrar muitas incertezas, inconta\u0301veis blasfe\u0302mias, ao caminhar por Fortaleza. Por vezes assemelhava-se a uma crianc\u0327a, um menino travesso, um moleque indoma\u0301vel, descortinando segredos de um lugar imagina\u0301rio.<br \/>\n7 Rejane Reinaldo e\u0301 ma\u0303e de 1 filho, avo\u0301 de 2 netos, com uma fami\u0301lia de 10 (3 irma\u0303os e 7 irma\u0303s) e 5 gatos. Atriz\/diretora teatral, professora- pesquisadora em culturas e artes, produtora\/curadora\/gestora cultural, arte-educadora ,Doutoranda em Teatro(UFBA); Mestre em Sociologia(UFC); Bacharel em Servic\u0327o Social (UECE); Diretora Arti\u0301stica do Theatro Jose\u0301 de Alencar(1996-2003); Diretora fundadora do Instituto Draga\u0303o do Mar de Arte e Cultura \u2013 IACC (1998); Secreta\u0301ria de Cultura e Turismo de Sobral (2007 a 2008);Coordenadora de Ac\u0327a\u0303o Cultural da Secretaria da Cultura do Ceara\u0301 (2009 a 2010); Vice Presidente do DICULTURA \u2013 Conselho dos Dirigentes Culturais do Ceara\u0301 (2007 a 2008);Diretora fundadora e Diretora de Eventos do Conselho Cearense dos Direitos da Mulher (1986);Diretora do Centro Popular da Mulher;Diretora fundadora da Federac\u0327a\u0303o de Favelas de Fortaleza.<br \/>\nTendo nascido no continente africano e vivendo em Paris desde 1955,<br \/>\ncomo uma espe\u0301cie de auto exilado, ele se diz natural da<br \/>\n\u201cDesterrola\u0302ncia\u201d e, ainda, insiste em afirmar que na\u0303o tem rai\u0301zes, mas<br \/>\n\u2013 sim \u2013 asas.<br \/>\nWilson Coelho<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nDurante uma semana estivemos irmanados dia a dia, noite a noite, Fortaleza afora, Fortaleza adentro, pelas ruas, becos e umbrais, a sentir-viver-apreciar a cidade, agora, acariciada pelo olhar amoroso de Fernando Arrabal. E assim nos postamos, a engendrar cari\u0301cias ao vento com falas inusitadas e deleites impublica\u0301veis&#8230; sobre o teatro,a vida,o ontem, o amanha\u0303, o hoje&#8230;Fernando Arrabal se diz na\u0303o possuidor de rai\u0301zes, mas sim, de asas. Nada o definiria ta\u0303o fielmente&#8230; Talvez, e somente, um LABIRINTO,talvez&#8230;<br \/>\nArrabal desejou visitar um CEMITE\u0301RIO DE AUTOMO\u0301VEIS, uma feira de carros velhos, usados,de coisas, de cacarecos, restos que a vida produz e joga fora, descarta, mas que podem ser reutiliza\u0301veis, podem servir a algue\u0301m, a ele, Arrabal, inclusive (comprou um cadeado enorme e uma ratoeira). Pensando assim aportou na Lagoa de Parangaba, numa manha\u0303 de domingo, na Feira. Caminhou por entre pessoas, objetos, comidas, sons estridentes, sol escaldante&#8230; A\u0300s doze horas, sol a pino, ja\u0301 havia percorrido tudo, a\u0301gil, quase serelepe &#8211; aos 80 anos.Feito UM CAVALO LOUCO permaneceu ali, impetuoso e livre.<br \/>\nNo centro da cidade, na Prac\u0327a da estac\u0327a\u0303o,deliciou-se com cajui\u0301na e castanha no \u00ab\u00a0Centro Artesanal da Emcetur\u00a0\u00bb. Um verdadeiro PIQUENIQUE NO FRONT. Porque os transeuntes, os caminhantes da rua, seus misera\u0301veis, animais abandonados, ligeiros, corriam de um lado ao outro, na luta pela vida, na guerra que o cotidiano impo\u0303e com seus hora\u0301rios, suas normas, suas ordens, seus deveres a cumprir, militarmente. Tudo minuciosamente capturado pelo olhar arguto de Arrabal &#8211; a\u0300s vezes em espanto.<br \/>\nEm seu traje preto, manga comprida, tre\u0302s o\u0301culos coloridos por sobre a testa em riste, quase trotando, caminhamos pelas ruas, chegando ao \u00ab\u00a0Museu da Emcetur\u00a0\u00bb. La\u0301, Arrabal aproximou-se de Antonio Conselheiro, depois de Padre Ci\u0301cero, tambe\u0301m aconchegou-se numa jangada. Ainda, levemente, encostou-se em Sa\u0303o Francisco, pausado, leve, fazendo confide\u0302ncias, baixinho, ao Santo querido de Caninde\u0301.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nDescendo a escada encontrou uma troupe, JOVENS BA\u0301RBAROS DE HOJE: palhac\u0327os, artistas, cantores, um sanfoneiro e um zabumbeiro. Entrou na roda e assistiu a\u0300 intervenc\u0327a\u0303o dos \u00ab\u00a0Mateus\u00a0\u00bb urbanos.Ao final, abrac\u0327ou-se a um deles, fez fotos, respondeu perguntas curiosas. Satisfeitos, os dois riram e se despediram, se afastando por entre as pessoas e os carros. Arrabal com um olhar de saudade &#8211; palavra que nem mesmo existe nas suas plagas, mas ta\u0303o somente, no seu corac\u0327a\u0303o.<br \/>\nNo Centro Draga\u0303o do Mar Arrabal ouviu atento a histo\u0301ria de Marighella, em exposic\u0327a\u0303o e vi\u0301deo. Pediu uma foto ao lado da imagem do guerrilheiro, punho levantado. Apreciou o painel de Aldemir Martins e, mais uma vez, posou, brac\u0327os abertos, abrac\u0327ando os novos amigos cearenses do Teatro da Boca Rica, guardou em imagem aquele momento.Depois, caminhou ate\u0301 o hero\u0301i Draga\u0303o do Mar, eternizado em bronze, altivo e forte, mas leve, como a flutuar, passo em (des)equili\u0301brio, pernas de bailarino &#8211; disse. Mais uma vez colocou em alerta seu celular para registrar o momento, em \u00ab\u00a0paisagem\u00a0\u00bb, e explicou: na Franc\u0327a os jornais preferem a foto assim, na horizontal.<br \/>\nMas a\u0300 frente, Patativa do Assare\u0301, reluzente, chamou-lhe a atenc\u0327a\u0303o. Atento, pertinho, ouviu sobre a poesia que encanta o mundo, a ave Patativa que canta em versos o Brasil, o Ceara\u0301, o mundo e os homens &#8211; ta\u0303o fra\u0301geis,coitados-, os animais, a vaca estrela, o boi fuba\u0301, o pinto e o ovo.Dono da casa, Patativa convidou Arrabal e, juntos, abrac\u0327ados, olharam a vida sob as muitas lentes dos seus o\u0301culos.Ora para ampliar, ora para embac\u0327ar, para dar novas cores a\u0300quele mundo ali&#8230; -na\u0303o e\u0301 mesmo isso que faz o poeta: nos mostra o mundo, suas dores,alegrias,desejos, sonhos, e nos apascenta, assim, a alma?<br \/>\nNo Mucuripe, na beira mar, caminhando pelo calc\u0327ada\u0303o, encontramos uma passeata colorida, alegre, cantante, aos pulos, que \u00ab\u00a0distribui\u0301a\u00a0\u00bb abrac\u0327os. Com placas, camisetas e dizeres com imagens da \u00ab\u00a0campanha\u00a0\u00bb pelo abrac\u0327o. Arrabal abrac\u0327ou,beijou bochechas rosas das garotas, alc\u0327ou placas \u00ab\u00a0Pelo Abrac\u0327o\u00a0\u00bb. E mais uma vez quis eternizar em imagem a emoc\u0327a\u0303o&#8230;Foto!<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nDepois fomos no Restaurante \u00ab\u00a0La Vilanny\u00a0\u00bb, pertinho da Via Expressa, na vila de pescadores ao redor do Morro Santa Terezinha, na Rua Olga Barroso. As simpa\u0301ticas anfitria\u0303s vieram a\u0300 mesa, conversaram, apresentaram seus deleites gastrono\u0302micos. Enta\u0303o iniciamos O GRANDE CERIMONIAL. Arrabal aceitou as sugesto\u0303es e deliciou-se com camaro\u0303es e lagostas, ao alho e azeite&#8230; \u00ab\u00a0La Vilanny\u00a0\u00bb era, verdadeiramente, O JARDIM DAS DELI\u0301CIAS.<br \/>\nPor uma semana convivemos com Fernando Arrabal em Fortaleza, entre teorias, debates acalorados, discusso\u0303es intermina\u0301veis, rituais gastrono\u0302micos, passeios pela cidade&#8230; intercambiamos saberes, fazeres, nos alastramos pelo Teatro da Boca Rica, Casa Amarela, Centro Draga\u0303o do Mar, Teatro Universita\u0301rio. Reunimos gerac\u0327o\u0303es diversas, este\u0301ticas mu\u0301ltiplas, assistimos a filmes raros de Arrabal,trocamos pensamentos e pequenas lembranc\u0327as. Arquitetamos uma TORRE DE BABEL. Imprimimos em nossa memo\u0301ria uma teia de singelas paisagens e preciosos afetos&#8230;Evoe\u0301!<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nENTIDADE PROPONENTE DO PROJETO GRITA-GRAPO\/NAC\u0327A\u0303O CARIRI\/TEATRO DA BOCA RICA<br \/>\nO Teatro da Boca Rica e\u0301 grupo teatral, um Ponto de Cultura, uma Escola Livre, um Espac\u0327o Cultural. O GRITA foi criado em 1973 e liderado pelo teatro\u0301logo Jose\u0301 Carlos Matos (diretor de 1973-1982) ate\u0301 sua morte precoce. Oswald Barroso (diretor de 1982-2004) assumiu o grupo, agora sob novo nome, GRAPO. Em 1998 passou a ser chamado Teatro da Boca Rica, numa homenagem ao Mestre Pedro Boca Rica, parceiro do grupo. De 2004 ate\u0301 hoje Teatro da Boca Rica e\u0301 dirigido por Rejane Reinaldo, atriz, diretora, gestora\/produtora e pesquisadora.<br \/>\nJose\u0301 Carlos criou a CONFENATA-Confederac\u0327a\u0303o Nacional de Teatro Amador, e foi seu primeiro presidente. Tambe\u0301m a FESTA &#8211; Federac\u0327a\u0303o Estadual de Teatro Amador. Imprimiu um novo olhar ao fazer arti\u0301stico brasileiro, direto do Ceara\u0301. A arte e a luta pela democracia se misturavam naquele contexto.<br \/>\nA trajeto\u0301ria de 40 anos da reunia\u0303o de artistas e intelectuais, que fizeram a histo\u0301ria do Grupo Independente de Teatro Amador\/ Nac\u0327a\u0303o Cariri\/ Grupo de Arte Popular\/Teatro da Boca Rica, e\u0301 a saga de um projeto de construc\u0327a\u0303o arti\u0301stico-cultural referenciado no dia\u0301logo entre a vanguarda e as tradic\u0327o\u0303es populares, no que elas te\u0302m de mais representativo do espi\u0301rito ma\u0301gico e criativo do ser humano. Movendo uma teia de articulac\u0327o\u0303es que junta num mesmo esforc\u0327o, artistas tradicionais e modernos, ligando gerac\u0327o\u0303es e propostas singulares, a ac\u0327a\u0303o desenvolvida nessa trajeto\u0301ria engendrou uma produc\u0327a\u0303o arti\u0301stico-cultural, experimental e de ponta, com preocupac\u0327o\u0303es este\u0301ticas e sociais, que por seu volume e sua qualidade marcou definitivamente o cena\u0301rio da cultura no Ceara\u0301, com repercusso\u0303es nacionais e internacionais. Concentrando-se nas artes ce\u0302nicas, uma forma de mu\u0301ltiplas linguagens, espraiou sua atuac\u0327a\u0303o pelas demais linguagens do campo da arte e da cultura, promovendo o dia\u0301logo entre elas, sem abandonar, entretanto, sua refere\u0302ncia ba\u0301sica, o universo mi\u0301tico da cultura popular tradicional. Insistindo nessa via, ajudou a quebrar preconceitos e, mais que isso, a destacar o valor do ge\u0302nio popular, como fonte inesgota\u0301vel de saber e inventividade, para a construc\u0327a\u0303o de uma cultura planeta\u0301ria, que tenha como centro a renovac\u0327a\u0303o da vida. De<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nsua produc\u0327a\u0303o constam filmes, recitais de poesia, pec\u0327as teatrais, textos drama\u0301ticos, revistas, livros, pesquisas este\u0301ticas e antropolo\u0301gicas, discos, shows musicais, dissertac\u0327o\u0303es e teses acade\u0302micas, exposic\u0327o\u0303es, semina\u0301rios, colaborac\u0327o\u0303es e interca\u0302mbios com grupos, artistas e intelectuais locais, nacionais e internacionais, como Fla\u0301vio Sampaio, Ana\u0301lia Timbo\u0301 (danc\u0327a), Lino Vilaventura (figurinos), Carlos Newton Ju\u0301nior (cri\u0301tico teatral), Chico Dias, Dira Paes (atores), Anto\u0302nio No\u0301brega e Roseane Almeida (Brincante), Lidui\u0301no Pitombeira (mu\u0301sico), Roberto Machado (Penthesilea), Lina Prosa (Ita\u0301lia),Anna Barbera(Ita\u0301lia), Carlos Simioni (Lume), Elisa Toledo (Venezuela\/MG), Jose\u0301 Guedes, Descartes Gadelha, Ronaldo Cavalcante, Marcelo Santiago e Aderson Medeiros (cena\u0301rios, cartazes, aderec\u0327os, figurinos), Moncho Rodrigues (encenador), Ronaldo Lopes, Zeze\u0301 Fonteles, Caio e Graco, Liduino Pitombeira (mu\u0301sica), Adriano Espi\u0301nola (Dramaturgia).<br \/>\nPartindo do teatro, num trabalho compartilhado, juntou em seu nu\u0301cleo, intelectuais e artistas de diferentes linguagens, como Rosemberg Cariry e Firmino Holanda (cinema), Jose\u0301 Carlos Matos, Fla\u0301vio Sampaio, Oswald Barroso, Celso Almeida, Ricardo Guilherme, Ivonilson Borges, Joana Borges, Jo\u0302 Abreu, Elza Ferreira, Paulo Ess, Edvar Costa, Olga Paiva,Lana Soraya, Aida Marsipe, Deugiolino Lucas, Neusa Gonc\u0327alves, Fernando Neri, Marquinhos Moura, Rejane Reinaldo, Teta Maia, Silvana Garcia, Myreika Falca\u0303o, Omar Rocha, Pedro Xavier, Chico Alves, Antonio Rodrigues, Joa\u0303o Antonio Campos Pinto, Grac\u0327a Freitas, Vane\u0301ssia Gomes, Karin Virgi\u0301nia e Sa\u0302mia Bittencourt , e tantos outros. Artistas pla\u0301sticos, escritores, mu\u0301sicos, com mestres da cultura popular tradicional, como Patativa do Assare\u0301 e Mestre Pedro Boca Rica, que lhe da\u0301 o nome atual8.<br \/>\nO grupo tem sede pro\u0301pria desde 1996, funcionando com nu\u0301cleos permanentes de teatro, infantil, projetos, formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades, mu\u0301sica. Reside\u0302ncias arti\u0301sticas com convidados, atrave\u0301s de projetos, garantem uma troca e interca\u0302mbio entre fazeres e criac\u0327o\u0303es. Os processos criativos sa\u0303o imbricados ao processo formativo. Compreende- se que fazeres e saberes na\u0303o sa\u0303o hierarquizados nem carregam hegemonias ou dicotomias em si. Por isso a cada espeta\u0301culo, livros sa\u0303o lanc\u0327ados, Cds com as musicas do espeta\u0301culo sa\u0303o criados. A realizac\u0327a\u0303o de semina\u0301rios e afins garante uma discussa\u0303o permanente sobre os temas da arte e da cultura.<br \/>\n8 Texto de Oswald Barroso para o folder do Ponto de Cultura Escola Livre Teatro da Boca Rica.<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nAtualmente os artistas e gestores do Teatro da Boca Rica esta\u0303o embrenhados na implantac\u0327a\u0303o do PROJETO AMAZONAS: TEATRO,MITO,CIENCIA; na realizac\u0327a\u0303o do PROJETO O\u0301PERA POPULAR MOACIR e na montagem do espeta\u0301culo PENTHESILEA, A RAINHA DAS AMAZONAS, pesquisa e criac\u0327a\u0303o ce\u0302nica sobre o mito feminino das mulheres guerreiras, a partir das obras do alema\u0303o Kleist (Alemanha), da dramaturga italiana Lina Prosa (Ita\u0301lia) e da pesquisadora, escritora e jornalista amazonense Regina Melo (AM).<br \/>\nO Teatro da Boca Rica e\u0301 um Espac\u0327o Cultural, um Ponto de Cultura, uma Escola Livre, um grupo teatral. Tem realizado projetos que articulam a academia com a criac\u0327a\u0303o, o pensamento e o criar como processos interligados, interpenetrados, saberes e fazeres mu\u0301ltimplos.<br \/>\nALGUNS PRE\u0302MIOS, SELEC\u0327O\u0303ES, PROJETOS,ESPETA\u0301CULOS, INTERCA\u0302MBIOS<br \/>\n2014 &#8211; COMENDA SOCORRO ABREU para mulheres que combateram a ditadura militar brasileira: Maria Rejane Reinaldo, Ruth Cavalcante,Tereza Cavalcanti, Noe\u0301lia Pinheiro,Monica Martins, Argentina Menezes, entre outras. Partido Comunista do Brasil.<br \/>\n2013 &#8211; CAMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA &#8211; COMENDA pelo 27 de Marc\u0327o, Dia Mundial do Teatro para Maria Rejane Reinaldo, Antonieta Noronha, Yuri Yamamoto, Augusto Bonequeiro, Thiago Arrais, entre outros. Vereador Evaldo Lima (Partido Comunista do Brasil).<br \/>\n2013-Premio DESTAQUES DO ANO-BALAIO. CATEGORIA: ESPECIAL, pelo projeto MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES, para Lana Soraya e Rejane Reinaldo. Solenidade no Sesc Emiliano Queiroz.15\/10\/13<br \/>\n2013-Governo do Ceara-Secult \u2013 FEC Selec\u0327a\u0303o pu\u0301blica estadual \u2013 Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes. CONVIDADOS: Fernando Arrabal(Espanha), Wilson Coelho(ES).<br \/>\n2013-Governo do Ceara-Secult \u2013 FEC Selec\u0327a\u0303o pu\u0301blica estadual \u2013 Programa de Formac\u0327a\u0303o em Artes e Humanidades na Escola Livre Teatro da Boca Rica: Multireside\u0302ncia em Artes Ce\u0302nicas; Experimento Ce\u0302nico<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\n2013-Prefeitura Municipal de Fortaleza\/Funcet \/ Projeto Programa de Formac\u0327a\u0303o em Artes e Humanidades na Escola Livre Teatro da Boca Rica: MULTIRESIDENCIAS<br \/>\n2012 &#8211; Prefeitura Municipal de Fortaleza\/Funcet \/Projeto ANIMA de Formac\u0327a\u0303o em artes c~enicas para jovens<br \/>\n2011 &#8211; Selec\u0327a\u0303o pu\u0301blica nacional &#8211; Ministerio da Cultura e Governo do Estado do Ceara \u2013 Ponto de<br \/>\nCultura Teatro da Boca Rica: Escola Livre de Gesta\u0303o, Cultura e Artes, um espac\u0327o para Ac\u0327o\u0303es e Pensamentos mu\u0301ltiplos<br \/>\n2011- IV EDITAL MECENAS-Projeto Ponto de Cultura Teatro da Boca Rica: Escola Livre de Gesta\u0303o, Cultura e Artes, um espac\u0327o para Ac\u0327o\u0303es e Pensamentos mu\u0301ltiplos Secretaria da Cultura do Ceara<br \/>\n2011-Projeto Circo com Breno Moroni no Ponto de Cultura Teatro da Boca Rica Fundo Estadual de Cultura-FEC.Selec\u0327a\u0303o pu\u0301blica.Secretaria da Cultura do Estado<br \/>\n2010-Projeto Pentesileia Universidade Federal da Bahia. Doutorado em Artes Ce\u0302nicas na UFBA para Maria Rejane Reinaldo<br \/>\n2010-Premio Intercambio Cultural\/ Pesquisa de Pentesileia na Italia, Franc\u0327a, Venezuela, Roraima, Amazonia &#8211; Ministe\u0301rio da Cultura\/Funarte para Lana Soraya, Marcus Vinicius, Valeria Pinheiro<br \/>\n2010-Pre\u0302mio Cine Mais Cultura\/ Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica\/Ponto de Cultura Reis Assentados. Ministe\u0301rio da Cultura\/Prefeitura Municipal de Fortaleza<br \/>\n2010-Premio Bolsa Funarte de Artes Cenicas 2010 para Maria Rejane Reinaldo.Pesquisa do espeta\u0301culo Pentesileia.Ministe\u0301rio da Cultura<br \/>\n2009-Premio Edital de Incentivo as Artes para Lana Soraya com espeta\u0301culo O fabuloso catador de historias.Secult Ceara\u0301<br \/>\n2009-Premio Edital de Incentivo as Artes para Lana Soraya de Literatura para publicac\u0327a\u0303o do texto O fabuloso catador de historias.Secult Ceara\u0301<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\n2008-Premio Alberto Nepomuceno de Musica para Orquestra para Joa\u0303o Victor com a mu\u0301sica \u201cCabac\u0327al,Maracatu e baia\u0303o\u201d- Secult Ceara\u0301<br \/>\n2006 \u2013 Projeto Anima de apoio a espac\u0327os culturais para a Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica- Funcet.Prefeitura de Fortaleza<br \/>\n2005- Pre\u0302mio Agente Cultura Viva com a implantac\u0327a\u0303o do Ponto de Cultura Reis Assentados Teatro da Boca Rica Ministe\u0301rio da Cultura e Ministe\u0301rio do Trabalho<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nPONTO DE CULTURA ESCOLA LIVRE TEATRO DA BOCA RICA<br \/>\nFICHA TE\u0301CNICA<br \/>\nAPOIO CULTURAL<br \/>\nGoverno do Estado do Ceara\u0301\/ Secretaria da Cultura &#8211; FEC Fundo Estadual de Cultura Proponente Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica Realizac\u0327a\u0303o Ponto de Cultura Escola Livre Teatro da Boca Rica Parcerias Centro Draga\u0303o do Mar de Arte e Cultura do Ceara\u0301 PONTO DE CULTURA\/MINISTE\u0301RIO DA CULTURA\/CULTURA VIVA IV EDITAL MECENAS \/ ENDESA\/COELCE Universidade Federal do Ceara\u0301-UFC Universidade Federal da Bahia-UFBA Universidade Federal da Amazo\u0302nia-UFAM Universidade Estadual do Ceara\u0301-UECE Universidade de Campinas-UNICAMP Universidade de Colo\u0302nia(Alemanha) Universidade de Ouro Preto-UFOP Universite\u0301 Lille 3(Franc\u0327a) Universite\u0301 Paris Nanterre La Defense(Franc\u0327a) Universite\u0301 Aix-Marseille Fondazione Pontedera Teatro em Pontedera(Italia) Progetto Amazzone(Italia) Associazione Arlenika Onlus(Italia) Instituto Geogra\u0301fico e Histo\u0301rico do Amazonas \u2013 IGHA (AM) Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza\/Vila das Artes GEEON \u2013 Grupo de Educac\u0327a\u0303o e Estudos Oncolo\u0301gicos, do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Ceara\u0301 Camera di Commercio Italo-Brasiliana &#8211; Regione Nordest &#8211; Fortaleza,Ceara\u0301,Brasil Vice-Consulado Honora\u0301rio da Ita\u0301lia-Fortaleza Instituto Cultura Italiana Fortaleza Sistema Italia &#8211; Fortaleza-Ceara\u0301-Brasile Instituto da Cidade Acal IFCE Assemble\u0301ia Legislativa do Estado do Ceara\/INESP SESC-CE<br \/>\nPROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS<br \/>\nREGISTRO E MEMO\u0301RIA<br \/>\nCLIPPING,PEC\u0327AS DE DIVULGAC\u0327A\u0303O,RELEASES Banner<br \/>\nCartaz Livro Folder Registro e Memo\u0301ria Audiovisual Convite online Redes Sociais Certificado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tweets @arrabalf autre arrabalesque: &#8230;le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb est moins ennuyeux avec des ballons de rugby et le raisonnement avec des sophismes autre arrabalesco: &#8230; le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb es menos aburrido con balones de rugby y el razonamiento con sofismas ________________________________________ MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 81 ANOS\u00a0\u00bb de REJANE REINALDO FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS (RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES) FORTALEZA, NOVEMBRO DE 2013 \u201cO teatro de Arrabal e\u0301 chamado de Absurdo, mas o absurdo do mundo deste dramaturgo espanhol na\u0303o nasce do desespero do filo\u0301sofo em busca de penetrar o segredo da existe\u0302ncia. E\u0301 dizer que esse estado de absurdidade se revela na mirada dos personagens que ve\u0302em a situac\u0327a\u0303o humana com os olhos da simplicidade ou da imediaticidade infantil que na\u0303o permite uma maior compreensa\u0303o da realidade do objeto observado. Tambe\u0301m como as crianc\u0327as, seus personagens sa\u0303o por vezes crue\u0301is, porque na\u0303o compreenderam ou sequer tentaram compreender a existe\u0302ncia de uma lei moral. E, assim como as crianc\u0327as, eles sofrem a crueldade de um mundo como flagelos incompreensi\u0301veis&#8230;\u00a0\u00bb WILSON COELHO (2010:16) Filosofo,dramaturgo,escritor,tradutor, professor pesquisador \u00ab\u00a0Esta\u0301vamos reunidos em um palco, contritos como num cerimonial, porque toda realidade fora suspensa, para se instalar outra dimensa\u0303o. Espac\u0327o de maravilhamento e da arte. Sagrado como os tapetes encantados das bacanais e dos retiros dos monges tibetanos. Ali, na\u0303o se fingia ou representava, rezava-se num orato\u0301rio de santos vivos e desbocados, encenando um ritual here\u0301tico de sacrile\u0301gios&#8230;\u00a0\u00bb OSWALD BARROSO(UECE) Poeta,dramaturgo,teatro\u0301logo,escritor,professor pesquisador \u00ab\u00a0A vinda de Fernando Arrabal proporcionou um cerimonial teatral jamais visto na cena cearense. Um encontro memora\u0301vel onde atores,diretores,pensadores e estudantes de teatro tiveram a oportunidade de discutir a este\u0301tica do Absurdo,do Pa\u0302nico e da Crueldade na dramaturgia com Fernando Arrabal, um dos i\u0301cones do Teatro do Absurdo e u\u0301ltimo sobrevivente dos avatares da Modernidade,que segundo o pro\u0301prio Arrabal,sa\u0303o o Surrealismo, o Pa\u0302nico e a Patafi\u0301sica\u00a0\u00bb. LANA SORAYA(CE) Atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral \u00ab\u00a0Se o afeto ocorre quando a pote\u0302ncia de agir e\u0301 aumentada ou diminui\u0301da, como queria Spinoza, enta\u0303o, foram momentos de afetac\u0327a\u0303o o que vivenciamos com Fernando Arrabal, e ele junto a no\u0301s, andarilhos, pelas ruas quentes de Fortaleza, pelos teatros, universidades, centros culturais, museus, prac\u0327as, praias, bairros, pelo Teatro da Boca Rica. Sob o som da cidade, o sile\u0302ncio falante dos sentimentos e a emoc\u0327a\u0303o que o teatro nos presenteia, instalamos em no\u0301s, naqueles dias, um tempo pro\u0301prio, uma forma especial de viver, em torpor, em vigi\u0301lia, como a depurar todo o na\u0303o carregado de afeto, delicadeza e prazer\u00a0\u00bb. REJANE REINALDO (CE) Atriz\/diretora teatral, professora-pesquisadora em culturas e artes, produtora\/curadora\/gestora cultural, arte-educadora PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS APRESENTAC\u0327A\u0303O O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes e\u0301 uma promoc\u0327a\u0303o e realizac\u0327a\u0303o da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica com Apoio Cultural do Governo do Estado do Ceara\u0301\/ Secretaria da Cultura-Fundo Estadual da Cultura. Consiste de um programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades por meio de homenagens a grandes personalidades de destaque na cena, na cultura e nas artes mundial, nacional e local, entre escritores, filo\u0301sofos, dramaturgos, cineastas, atores, atrizes. A homenagem ao artista espanhol Fernando Arrabal1 nesta primeira edic\u0327a\u0303o deveu-se a\u0300 passagem dos seus 80 anos em 2012, considerando-se a sua insofisma\u0301vel contribuic\u0327a\u0303o a\u0300s artes e a\u0300 cultura mundial. O registro em fotografia e vi\u0301deo das ac\u0327o\u0303es engendrou uma preciosa memo\u0301ria das artes e da cultura no Ceara\u0301, que por si so\u0301 justifica o ti\u0301tulo do projeto. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos abrangeu uma confere\u0302ncia e um semina\u0301rio com Fernando Arrabal e Wilson Coelho(ES)2; uma Oficina de 30 horas\/aula com Wilson Coelho. Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceara\u0301 &#8211; UFC\/ICA, aberto a artistas e profissionais das artes ce\u0302nicas em geral. O projeto aconteceu em diversos espac\u0327os: Teatro da Boca Rica, Teatro do Centro Draga\u0303o do Mar, Teatro Paschoal Carlos Magno(Universita\u0301rio) da UFC\/ICA, Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA. 1 Fernando Arrabal(ESPANHA)e\u0301 dramaturgo, escritor, poeta, cineasta, pintor, desenhista, roteirista, jogador e teo\u0301rico do xadrez. Nasceu aos 11 de agosto de 1932, em Melilla, no continente africano (Marrocos espanhol), filho de Fernando Arrabal Ruiz e Carmen Te\u0301ran Gonza\u0301lez. 2 Wilson Coelho (ES) e\u0301 poeta, dramaturgo, tradutor, Compo\u0302s ainda o projeto uma Mostra da Obra Cinematogra\u0301fica de Arrabal, na Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA; um Interca\u0302mbio Cultural com os alunos e professores do Curso de escritor, tradutor, especialista na obra de Arrabal, palestrante, articulista e encenador, graduado em Filosofia e Mestre em Estudos Litera\u0301rios pela Universidade Federal do Espi\u0301rito Santo, doutorando em Literatura pela Universidade Federal Fluminense e Auditor Real do Colle\u0301ge de Pataphysique de Paris.Estudioso e tradutor de Arrabal,sendo seu representante no Brasil. PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS Idealizada por Lana Soraya3, a vinda de Fernando Arrabal veio compor e fortalecer a Escola Livre Teatro da Boca Rica. Sua realizac\u0327a\u0303o significou a culmina\u0302ncia de uma jornada, entre elaborac\u0327a\u0303o, captac\u0327a\u0303o, realizac\u0327a\u0303o, articulac\u0327a\u0303o, divulgac\u0327a\u0303o, feitura de relato\u0301rio e prestac\u0327a\u0303o de contas, de fevereiro de 2012 a outubro de 2013. A ide\u0301ia inicial partiu de Lana Soraya, grande admiradora de Fernando Arrabal. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos promoveu, no Ceara\u0301, um encontro inusitado e encantador envolvendo o mestre franco-e atores, diretores de teatro, pensadores, estudantes, professores, e profissionais afins DO Ceara\u0301. Este projeto compo\u0303e o programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades desenvolvido pela Escola Livre Teatro da Boca Rica, tendo entre seus objetivos a realizac\u0327a\u0303o de ac\u0327o\u0303es formativas e espetaculares, reunidas a\u0300 a\u0301rea de humanidades, onde processo criativo e processo pedago\u0301gico compo\u0303em um mesmo ambiente, cujos saberes e fazeres se postam sem dicotomias, hegemonias nem hierarquias. Toda a programac\u0327a\u0303o teve acesso gratuito. PROGRAMAC\u0327A\u0303O \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0UM SOBREVIVENTE DOS AVATARES DA MODERNIDADE Conferencia com Fernando Arrabal \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0DRAMATURGIA, UMA ESCRITA EM PROCESSO Oficina com Wilson Coelho \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0MOSTRA DE CINEMA FERNANDO ARRABAL \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0INTERCA\u0302MBIO CULTURAL Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso de Licenciatura em Teatro 3 Lana Soraya (CE) e\u0301 atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral.Idealizadora da vinda de Fernando Arrabal ao Ceara\u0301, prontamente realizada e promovida pelo projeto MEMORIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica. spanhol e os PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RESUMO DO RELATO\u0301RIO DE ATIVIDADES \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Textos: FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS de:Fernando Arrabal, Rejane Reinaldo, Lana Soraya, Wilson Coelho, Oswald Barroso, Paulo Ess, Rosemberg Cariry \u2022 Conferencia internacional com Fernando Arrabal &#8211; Um sobrevivente dos avatares da modernidade (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Oficina com o dramaturgo e professor Wilson Coelho &#8211; Dramaturgia, uma escrita em processo (LISTA DOS SELECIONADOS NO ANEXO) (FOTOS NO ANEXO) \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Mostra de Cinema Fernando Arrabal (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Interca\u0302mbio Cultural &#8211; Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso Licenciatura em Teatro (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES ACERCA DO PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":4681,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miscellannees"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Le livre de REJANE REINALDO sur Fernando Arrabal \u00e0 Fotaleza, Br\u00e9sil - Ceci n\u2019est pas un blog<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"fr_FR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Le livre de REJANE REINALDO sur Fernando Arrabal \u00e0 Fotaleza, Br\u00e9sil - Ceci n\u2019est pas un blog\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tweets @arrabalf autre arrabalesque: &#8230;le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb est moins ennuyeux avec des ballons de rugby et le raisonnement avec des sophismes autre arrabalesco: &#8230; le \u00ab\u00a0basket\u00a0\u00bb es menos aburrido con balones de rugby y el razonamiento con sofismas ________________________________________ MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 81 ANOS\u00a0\u00bb de REJANE REINALDO FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS (RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES) FORTALEZA, NOVEMBRO DE 2013 \u201cO teatro de Arrabal e\u0301 chamado de Absurdo, mas o absurdo do mundo deste dramaturgo espanhol na\u0303o nasce do desespero do filo\u0301sofo em busca de penetrar o segredo da existe\u0302ncia. E\u0301 dizer que esse estado de absurdidade se revela na mirada dos personagens que ve\u0302em a situac\u0327a\u0303o humana com os olhos da simplicidade ou da imediaticidade infantil que na\u0303o permite uma maior compreensa\u0303o da realidade do objeto observado. Tambe\u0301m como as crianc\u0327as, seus personagens sa\u0303o por vezes crue\u0301is, porque na\u0303o compreenderam ou sequer tentaram compreender a existe\u0302ncia de uma lei moral. E, assim como as crianc\u0327as, eles sofrem a crueldade de um mundo como flagelos incompreensi\u0301veis&#8230;\u00a0\u00bb WILSON COELHO (2010:16) Filosofo,dramaturgo,escritor,tradutor, professor pesquisador \u00ab\u00a0Esta\u0301vamos reunidos em um palco, contritos como num cerimonial, porque toda realidade fora suspensa, para se instalar outra dimensa\u0303o. Espac\u0327o de maravilhamento e da arte. Sagrado como os tapetes encantados das bacanais e dos retiros dos monges tibetanos. Ali, na\u0303o se fingia ou representava, rezava-se num orato\u0301rio de santos vivos e desbocados, encenando um ritual here\u0301tico de sacrile\u0301gios&#8230;\u00a0\u00bb OSWALD BARROSO(UECE) Poeta,dramaturgo,teatro\u0301logo,escritor,professor pesquisador \u00ab\u00a0A vinda de Fernando Arrabal proporcionou um cerimonial teatral jamais visto na cena cearense. Um encontro memora\u0301vel onde atores,diretores,pensadores e estudantes de teatro tiveram a oportunidade de discutir a este\u0301tica do Absurdo,do Pa\u0302nico e da Crueldade na dramaturgia com Fernando Arrabal, um dos i\u0301cones do Teatro do Absurdo e u\u0301ltimo sobrevivente dos avatares da Modernidade,que segundo o pro\u0301prio Arrabal,sa\u0303o o Surrealismo, o Pa\u0302nico e a Patafi\u0301sica\u00a0\u00bb. LANA SORAYA(CE) Atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral \u00ab\u00a0Se o afeto ocorre quando a pote\u0302ncia de agir e\u0301 aumentada ou diminui\u0301da, como queria Spinoza, enta\u0303o, foram momentos de afetac\u0327a\u0303o o que vivenciamos com Fernando Arrabal, e ele junto a no\u0301s, andarilhos, pelas ruas quentes de Fortaleza, pelos teatros, universidades, centros culturais, museus, prac\u0327as, praias, bairros, pelo Teatro da Boca Rica. Sob o som da cidade, o sile\u0302ncio falante dos sentimentos e a emoc\u0327a\u0303o que o teatro nos presenteia, instalamos em no\u0301s, naqueles dias, um tempo pro\u0301prio, uma forma especial de viver, em torpor, em vigi\u0301lia, como a depurar todo o na\u0303o carregado de afeto, delicadeza e prazer\u00a0\u00bb. REJANE REINALDO (CE) Atriz\/diretora teatral, professora-pesquisadora em culturas e artes, produtora\/curadora\/gestora cultural, arte-educadora PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS APRESENTAC\u0327A\u0303O O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes e\u0301 uma promoc\u0327a\u0303o e realizac\u0327a\u0303o da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica com Apoio Cultural do Governo do Estado do Ceara\u0301\/ Secretaria da Cultura-Fundo Estadual da Cultura. Consiste de um programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades por meio de homenagens a grandes personalidades de destaque na cena, na cultura e nas artes mundial, nacional e local, entre escritores, filo\u0301sofos, dramaturgos, cineastas, atores, atrizes. A homenagem ao artista espanhol Fernando Arrabal1 nesta primeira edic\u0327a\u0303o deveu-se a\u0300 passagem dos seus 80 anos em 2012, considerando-se a sua insofisma\u0301vel contribuic\u0327a\u0303o a\u0300s artes e a\u0300 cultura mundial. O registro em fotografia e vi\u0301deo das ac\u0327o\u0303es engendrou uma preciosa memo\u0301ria das artes e da cultura no Ceara\u0301, que por si so\u0301 justifica o ti\u0301tulo do projeto. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos abrangeu uma confere\u0302ncia e um semina\u0301rio com Fernando Arrabal e Wilson Coelho(ES)2; uma Oficina de 30 horas\/aula com Wilson Coelho. Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceara\u0301 &#8211; UFC\/ICA, aberto a artistas e profissionais das artes ce\u0302nicas em geral. O projeto aconteceu em diversos espac\u0327os: Teatro da Boca Rica, Teatro do Centro Draga\u0303o do Mar, Teatro Paschoal Carlos Magno(Universita\u0301rio) da UFC\/ICA, Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA. 1 Fernando Arrabal(ESPANHA)e\u0301 dramaturgo, escritor, poeta, cineasta, pintor, desenhista, roteirista, jogador e teo\u0301rico do xadrez. Nasceu aos 11 de agosto de 1932, em Melilla, no continente africano (Marrocos espanhol), filho de Fernando Arrabal Ruiz e Carmen Te\u0301ran Gonza\u0301lez. 2 Wilson Coelho (ES) e\u0301 poeta, dramaturgo, tradutor, Compo\u0302s ainda o projeto uma Mostra da Obra Cinematogra\u0301fica de Arrabal, na Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA; um Interca\u0302mbio Cultural com os alunos e professores do Curso de escritor, tradutor, especialista na obra de Arrabal, palestrante, articulista e encenador, graduado em Filosofia e Mestre em Estudos Litera\u0301rios pela Universidade Federal do Espi\u0301rito Santo, doutorando em Literatura pela Universidade Federal Fluminense e Auditor Real do Colle\u0301ge de Pataphysique de Paris.Estudioso e tradutor de Arrabal,sendo seu representante no Brasil. PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS Idealizada por Lana Soraya3, a vinda de Fernando Arrabal veio compor e fortalecer a Escola Livre Teatro da Boca Rica. Sua realizac\u0327a\u0303o significou a culmina\u0302ncia de uma jornada, entre elaborac\u0327a\u0303o, captac\u0327a\u0303o, realizac\u0327a\u0303o, articulac\u0327a\u0303o, divulgac\u0327a\u0303o, feitura de relato\u0301rio e prestac\u0327a\u0303o de contas, de fevereiro de 2012 a outubro de 2013. A ide\u0301ia inicial partiu de Lana Soraya, grande admiradora de Fernando Arrabal. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos promoveu, no Ceara\u0301, um encontro inusitado e encantador envolvendo o mestre franco-e atores, diretores de teatro, pensadores, estudantes, professores, e profissionais afins DO Ceara\u0301. Este projeto compo\u0303e o programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades desenvolvido pela Escola Livre Teatro da Boca Rica, tendo entre seus objetivos a realizac\u0327a\u0303o de ac\u0327o\u0303es formativas e espetaculares, reunidas a\u0300 a\u0301rea de humanidades, onde processo criativo e processo pedago\u0301gico compo\u0303em um mesmo ambiente, cujos saberes e fazeres se postam sem dicotomias, hegemonias nem hierarquias. Toda a programac\u0327a\u0303o teve acesso gratuito. PROGRAMAC\u0327A\u0303O \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0UM SOBREVIVENTE DOS AVATARES DA MODERNIDADE Conferencia com Fernando Arrabal \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0DRAMATURGIA, UMA ESCRITA EM PROCESSO Oficina com Wilson Coelho \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0MOSTRA DE CINEMA FERNANDO ARRABAL \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0INTERCA\u0302MBIO CULTURAL Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso de Licenciatura em Teatro 3 Lana Soraya (CE) e\u0301 atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral.Idealizadora da vinda de Fernando Arrabal ao Ceara\u0301, prontamente realizada e promovida pelo projeto MEMORIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica. spanhol e os PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RESUMO DO RELATO\u0301RIO DE ATIVIDADES \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Textos: FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS de:Fernando Arrabal, Rejane Reinaldo, Lana Soraya, Wilson Coelho, Oswald Barroso, Paulo Ess, Rosemberg Cariry \u2022 Conferencia internacional com Fernando Arrabal &#8211; Um sobrevivente dos avatares da modernidade (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Oficina com o dramaturgo e professor Wilson Coelho &#8211; Dramaturgia, uma escrita em processo (LISTA DOS SELECIONADOS NO ANEXO) (FOTOS NO ANEXO) \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Mostra de Cinema Fernando Arrabal (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Interca\u0302mbio Cultural &#8211; Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso Licenciatura em Teatro (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES ACERCA DO PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Ceci n\u2019est pas un blog\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2014-05-12T15:03:26+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2015-08-18T22:48:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/files\/2014\/05\/Image-sans-titre.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"251\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"240\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fernandoarrabal\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"\u00c9crit par\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fernandoarrabal\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Dur\u00e9e de lecture est.\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"68 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/\",\"url\":\"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/\",\"name\":\"Le livre de REJANE REINALDO sur Fernando Arrabal \u00e0 Fotaleza, Br\u00e9sil - 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E\u0301 dizer que esse estado de absurdidade se revela na mirada dos personagens que ve\u0302em a situac\u0327a\u0303o humana com os olhos da simplicidade ou da imediaticidade infantil que na\u0303o permite uma maior compreensa\u0303o da realidade do objeto observado. Tambe\u0301m como as crianc\u0327as, seus personagens sa\u0303o por vezes crue\u0301is, porque na\u0303o compreenderam ou sequer tentaram compreender a existe\u0302ncia de uma lei moral. E, assim como as crianc\u0327as, eles sofrem a crueldade de um mundo como flagelos incompreensi\u0301veis&#8230;\u00a0\u00bb WILSON COELHO (2010:16) Filosofo,dramaturgo,escritor,tradutor, professor pesquisador \u00ab\u00a0Esta\u0301vamos reunidos em um palco, contritos como num cerimonial, porque toda realidade fora suspensa, para se instalar outra dimensa\u0303o. Espac\u0327o de maravilhamento e da arte. Sagrado como os tapetes encantados das bacanais e dos retiros dos monges tibetanos. Ali, na\u0303o se fingia ou representava, rezava-se num orato\u0301rio de santos vivos e desbocados, encenando um ritual here\u0301tico de sacrile\u0301gios&#8230;\u00a0\u00bb OSWALD BARROSO(UECE) Poeta,dramaturgo,teatro\u0301logo,escritor,professor pesquisador \u00ab\u00a0A vinda de Fernando Arrabal proporcionou um cerimonial teatral jamais visto na cena cearense. Um encontro memora\u0301vel onde atores,diretores,pensadores e estudantes de teatro tiveram a oportunidade de discutir a este\u0301tica do Absurdo,do Pa\u0302nico e da Crueldade na dramaturgia com Fernando Arrabal, um dos i\u0301cones do Teatro do Absurdo e u\u0301ltimo sobrevivente dos avatares da Modernidade,que segundo o pro\u0301prio Arrabal,sa\u0303o o Surrealismo, o Pa\u0302nico e a Patafi\u0301sica\u00a0\u00bb. LANA SORAYA(CE) Atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral \u00ab\u00a0Se o afeto ocorre quando a pote\u0302ncia de agir e\u0301 aumentada ou diminui\u0301da, como queria Spinoza, enta\u0303o, foram momentos de afetac\u0327a\u0303o o que vivenciamos com Fernando Arrabal, e ele junto a no\u0301s, andarilhos, pelas ruas quentes de Fortaleza, pelos teatros, universidades, centros culturais, museus, prac\u0327as, praias, bairros, pelo Teatro da Boca Rica. Sob o som da cidade, o sile\u0302ncio falante dos sentimentos e a emoc\u0327a\u0303o que o teatro nos presenteia, instalamos em no\u0301s, naqueles dias, um tempo pro\u0301prio, uma forma especial de viver, em torpor, em vigi\u0301lia, como a depurar todo o na\u0303o carregado de afeto, delicadeza e prazer\u00a0\u00bb. REJANE REINALDO (CE) Atriz\/diretora teatral, professora-pesquisadora em culturas e artes, produtora\/curadora\/gestora cultural, arte-educadora PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS APRESENTAC\u0327A\u0303O O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes e\u0301 uma promoc\u0327a\u0303o e realizac\u0327a\u0303o da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica com Apoio Cultural do Governo do Estado do Ceara\u0301\/ Secretaria da Cultura-Fundo Estadual da Cultura. Consiste de um programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades por meio de homenagens a grandes personalidades de destaque na cena, na cultura e nas artes mundial, nacional e local, entre escritores, filo\u0301sofos, dramaturgos, cineastas, atores, atrizes. A homenagem ao artista espanhol Fernando Arrabal1 nesta primeira edic\u0327a\u0303o deveu-se a\u0300 passagem dos seus 80 anos em 2012, considerando-se a sua insofisma\u0301vel contribuic\u0327a\u0303o a\u0300s artes e a\u0300 cultura mundial. O registro em fotografia e vi\u0301deo das ac\u0327o\u0303es engendrou uma preciosa memo\u0301ria das artes e da cultura no Ceara\u0301, que por si so\u0301 justifica o ti\u0301tulo do projeto. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos abrangeu uma confere\u0302ncia e um semina\u0301rio com Fernando Arrabal e Wilson Coelho(ES)2; uma Oficina de 30 horas\/aula com Wilson Coelho. Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceara\u0301 &#8211; UFC\/ICA, aberto a artistas e profissionais das artes ce\u0302nicas em geral. O projeto aconteceu em diversos espac\u0327os: Teatro da Boca Rica, Teatro do Centro Draga\u0303o do Mar, Teatro Paschoal Carlos Magno(Universita\u0301rio) da UFC\/ICA, Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA. 1 Fernando Arrabal(ESPANHA)e\u0301 dramaturgo, escritor, poeta, cineasta, pintor, desenhista, roteirista, jogador e teo\u0301rico do xadrez. Nasceu aos 11 de agosto de 1932, em Melilla, no continente africano (Marrocos espanhol), filho de Fernando Arrabal Ruiz e Carmen Te\u0301ran Gonza\u0301lez. 2 Wilson Coelho (ES) e\u0301 poeta, dramaturgo, tradutor, Compo\u0302s ainda o projeto uma Mostra da Obra Cinematogra\u0301fica de Arrabal, na Casa Amarela Euse\u0301lio Oliveira da UFC\/ICA; um Interca\u0302mbio Cultural com os alunos e professores do Curso de escritor, tradutor, especialista na obra de Arrabal, palestrante, articulista e encenador, graduado em Filosofia e Mestre em Estudos Litera\u0301rios pela Universidade Federal do Espi\u0301rito Santo, doutorando em Literatura pela Universidade Federal Fluminense e Auditor Real do Colle\u0301ge de Pataphysique de Paris.Estudioso e tradutor de Arrabal,sendo seu representante no Brasil. PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS Idealizada por Lana Soraya3, a vinda de Fernando Arrabal veio compor e fortalecer a Escola Livre Teatro da Boca Rica. Sua realizac\u0327a\u0303o significou a culmina\u0302ncia de uma jornada, entre elaborac\u0327a\u0303o, captac\u0327a\u0303o, realizac\u0327a\u0303o, articulac\u0327a\u0303o, divulgac\u0327a\u0303o, feitura de relato\u0301rio e prestac\u0327a\u0303o de contas, de fevereiro de 2012 a outubro de 2013. A ide\u0301ia inicial partiu de Lana Soraya, grande admiradora de Fernando Arrabal. O Projeto Memo\u0301ria Viva da Cultura e das Artes: Ano I &#8211; Fernando Arrabal 80 anos promoveu, no Ceara\u0301, um encontro inusitado e encantador envolvendo o mestre franco-e atores, diretores de teatro, pensadores, estudantes, professores, e profissionais afins DO Ceara\u0301. Este projeto compo\u0303e o programa de formac\u0327a\u0303o em artes e humanidades desenvolvido pela Escola Livre Teatro da Boca Rica, tendo entre seus objetivos a realizac\u0327a\u0303o de ac\u0327o\u0303es formativas e espetaculares, reunidas a\u0300 a\u0301rea de humanidades, onde processo criativo e processo pedago\u0301gico compo\u0303em um mesmo ambiente, cujos saberes e fazeres se postam sem dicotomias, hegemonias nem hierarquias. Toda a programac\u0327a\u0303o teve acesso gratuito. PROGRAMAC\u0327A\u0303O \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0UM SOBREVIVENTE DOS AVATARES DA MODERNIDADE Conferencia com Fernando Arrabal \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0DRAMATURGIA, UMA ESCRITA EM PROCESSO Oficina com Wilson Coelho \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0MOSTRA DE CINEMA FERNANDO ARRABAL \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0INTERCA\u0302MBIO CULTURAL Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso de Licenciatura em Teatro 3 Lana Soraya (CE) e\u0301 atriz, diretora, dramaturga, escritora, professora de teatro, produtora teatral.Idealizadora da vinda de Fernando Arrabal ao Ceara\u0301, prontamente realizada e promovida pelo projeto MEMORIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS da Associac\u0327a\u0303o Educativa Cultural Teatro da Boca Rica. spanhol e os PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RESUMO DO RELATO\u0301RIO DE ATIVIDADES \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Textos: FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS de:Fernando Arrabal, Rejane Reinaldo, Lana Soraya, Wilson Coelho, Oswald Barroso, Paulo Ess, Rosemberg Cariry \u2022 Conferencia internacional com Fernando Arrabal &#8211; Um sobrevivente dos avatares da modernidade (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Oficina com o dramaturgo e professor Wilson Coelho &#8211; Dramaturgia, uma escrita em processo (LISTA DOS SELECIONADOS NO ANEXO) (FOTOS NO ANEXO) \u2022\u00a0\u00a0 \u00a0Mostra de Cinema Fernando Arrabal (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) \u2022 Interca\u0302mbio Cultural &#8211; Encontro com Fernando Arrabal, Wilson Coelho, alunos e professores da UFC\/ ICA \u2013 Curso Licenciatura em Teatro (FOTOS NO ANEXO) (FILMAGEM NO ANEXO) PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS RELATO\u0301RIO GERAL E IMPRESSO\u0303ES ACERCA DO PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I &#8211; FERNANDO ARRABAL 80 ANOS FERNANDO ARRABAL NO CEARA\u0301:IMPRESSO\u0303ES,AFETOS E ESTE\u0301TICAS PROJETO MEMO\u0301RIA VIVA DA CULTURA E DAS ARTES &#8211; ANO I [&hellip;]","og_url":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/","og_site_name":"Ceci n\u2019est pas un blog","article_published_time":"2014-05-12T15:03:26+00:00","article_modified_time":"2015-08-18T22:48:02+00:00","og_image":[{"width":251,"height":240,"url":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/files\/2014\/05\/Image-sans-titre.png","type":"image\/png"}],"author":"fernandoarrabal","twitter_misc":{"\u00c9crit par":"fernandoarrabal","Dur\u00e9e de lecture est.":"68 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/","url":"https:\/\/laregledujeu.org\/arrabal\/2014\/05\/12\/4680\/le-livre-de-rejane-reinaldo-sur-fernando-arrabal-a-fotaleza-bresil\/","name":"Le livre de REJANE REINALDO sur Fernando Arrabal \u00e0 Fotaleza, Br\u00e9sil - 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