Carta de Roman Polanski a Bernard-Henri Lévy
É verdade o que você disse, caro Bernard-Henri Lévy, em seus discursos na imprensa suíça – eu estou tocado pelas numerosas manifestações de simpatia e apoio que recebi na prisão de Winterthur e que continuo a receber neste charmoso chalet de Gstaad, onde passo as férias com minha esposa e meus filhos.
Há mensagens de vizinhos e de outras pessoas que vêm de toda a Suíça e, além da Suíça, do mundo inteiro. Gostaria de poder dizer, à cada um, o bem que faz, quando se está preso em uma cela, de ouvir todas as manhãs, ao receber o correio, este murmúrio da voz humana e da solidariedade. Cada uma de suas palavras me transmitiu nos momentos mais sombrios, e continuam transmitindo na minha situação atual, reconforto e esperança.
Gostaria de poder responder a todas elas. Mas é impossível, são muito numerosas. Teria você alguma idéia de como eu poderia fazer? Talvez a sua revista, La Règle du jeu, que me apoiou desde o primeiro dia? Talvez divulgar estas poucas linhas que lhe dirijo? Eu não sei. Lhe deixo decidir.
Feliz Natal e Ano Novo para você, para os seus – e através você a todos os amigos anônimos que descubro a cada dia e que tanto me ajudaram.
Com minha Amizade.
Roman Polanski
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